Há uma semana, os quatro meses de alegria que a família Silva vivia em razão do nascimento do pequeno Davi Lucca Silva Barato, foram cessados pelo ato de um motorista bêbado que jogou seu carro de um barranco na rodovia Cândido Portinari e atingiu o veículo em que o bebê estava, matando-o segundos depois. Além de Davi, seu pai, Wesley Silva Barato, um homem cheio de sonhos, de 29 anos, que estava feliz por passar o dia com sua família, também teve sua vida ceifada.
Dentro do Ford Escort atingido pelo VW Voyage do açougueiro Wesley Fernando de Miranda, 33, estava ainda a mãe de Davi e mulher de Silva, Thaís Silva Fróes Barato, 25, que ainda luta para sobreviver na Santa Casa de Franca.
No banco de trás, estavam os outros quatro sobreviventes: a outra filha do casal, Yasmim Silva Morais, 8, a atendente Janaína Rodrigues da Silva, 28, e seus dois filhos, Ana Júlia Rodrigues Silva, 8, e Gustavo Henrique Rodrigues da Silva, 10. Todos eles já tiveram alta médica e, aos poucos, batalham para retomar a rotina.
Com um semblante abatido e tala no pescoço, Janaína tenta conviver com as dores no corpo e as vagas lembranças do acidente, ocorrido minutos depois da família deixar a casa dos pais de Silva, no Leporace, para levar a atendente e seus filhos para casa, no Jardim Dermínio. “Tudo aconteceu em segundos. Estávamos dentro do carro e eu tinha acabado de entregar o Davi nos braços da Thaís, no banco da frente, porque ele estava chorando. De repente, senti o impacto”, disse.
Os minutos seguintes foram de desespero para Janaína. Ao notar que o filho Gustavo estava desacordado, o cunhado já morto e o bebê respirando com dificuldade nos braços da mãe, a atendente começou a gritar por ajuda. “Não sei direito o que aconteceu, mas fiquei em pânico ao ver meu filho desmaiado. Eu não conseguia mexer meu corpo, pois estava presa às ferragens, e só conseguia chamar o socorro. Um moço se aproximou e disse que estavam vindo, mas os minutos duraram uma eternidade”.
A atendente foi socorrida até o Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e, depois, transferida para a Santa Casa. Só no hospital, horas depois, soube o que de fato tinha acontecido.
Ainda lá, foi comunicada da morte de Davi, confirmou que o cunhado também estava morto e soube que Miranda foi preso e indiciado por homicídio doloso na modalidade “dolo eventual” (quando o indiciado prevê o resultado de um crime, não quer o ocorrido, mas assume o risco de matar).
“Quando vi as imagens através do portal GCN e também na televisão, não acreditei no estrago que o motorista causou. Até então, eu não tinha pensado que foi proposital”, contou Janaína, emocionada ao se lembrar do bebê.
“O Wesley sonhava em ter um menino e estávamos todos contentes com sua chegada. E agora? Como a Thaís vai fazer quando sair do hospital e perceber que, por causa de um inconsequente, ficou sem o filho e o marido?”, questionou.
Expectativa
Assim que foi informada de que o motorista do Voyage havia brigado com a mulher, bebido e saído com o carro dizendo que se mataria, Janaína se revoltou.
“Eu sou humana e estou sujeita a falhar. Mas, depois do que ele fez, não posso perdoar. Ele sobreviveu e matou duas pessoas. Por culpa de uma pessoa inconsequente, uma família foi destruída. Quero que apodreça na cadeia para ter consciência do que fez”, disse ela.
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