Rodrigo Henrique de Oliveira ainda era uma criança de 11 anos quando pisou pela primeira vez no parque gráfico do jornal Comércio da Franca. Queria ganhar o próprio dinheiro e pediu uma oportunidade de trabalho. Começava ali uma longa história de dedicação à empresa.
Durante 23 anos, Rodrigo desempenhou múltiplas funções e passou, praticamente, por todos os setores do jornal. Exímio negociador, foi de entregador de jornais a Executivo de Contas Premium, responsável pelo atendimento dos maiores clientes. Também se aventurou como repórter.
No segundo semestre de 2016, inquieto e sempre disposto a novos desafios, se afastou da empresa para uma missão tida por muitos como impossível: coordenar a campanha eleitoral do sogro Gilson de Souza (DEM) à Prefeitura de Franca. Não se cansou de repetir para quem não acreditava: “Escreve ai, o Gilson vai ganhar”. Não deu outra. Apoiadores e adversários de Gilson são unânimes em reconhecer: Rodrigo foi fundamental na vitória.
Convidado para assumir uma posição no governo, Rodrigo relutou. Tinha receio de não se adaptar ao ritmo da máquina pública, onde ações e decisões demandam um tempo muito maior do que normalmente se verifica na iniciativa privada. Por três meses, assessorou o prefeito como coordenador de Assuntos Parlamentares. Não se adaptou. No começo de abril, decidiu deixar o governo. Pesou na sua decisão a gravidez de Nanda Bel, sua namorada. Ela é filha de Gilson de Souza e a situação poderia gerar constrangimentos.
Rodrigo aceitou o convite feito por Corrêa Neves Júnior, que desde que foi eleito vereador havia decidido se afastar do comando das empresas, para ser o novo diretor executivo do GCN. Nesta entrevista, ele fala de sua trajetória e dos desafios que enfrentará.
Como começou a sua história dentro do jornal?
Comecei a trabalhar na empresa muito jovem. Aos 11 anos de idade, comecei a querer trabalhar para ganhar o meu dinheiro e ficar independente. Comecei entregando jornal, passei pelo paste-up (processo de montagem manual das páginas), impressão, encarte, cobrança, escritório e comercial. Não estou chegando agora. É uma história de mais de 20 anos. Poder conhecer a empresa em todos os setores é uma grande experiência, um aprendizado que ninguém tira. Só não sei escrever um texto jornalístico da maneira que tem que ser feito, mas se deixar eu dou um jeito... Quando eu comecei a percorrer a região para entregar jornais, às vezes, levava um gravador, fazia algumas perguntas e trazia para os repórteres escreverem. Fui um pouco de jornalista também.
Como define sua relação com o jornal?
Eu respiro o jornal, tenho o jornal na veia, gosto muito do que faço. Posso dizer que é a minha segunda casa. Foi onde aprendi a trabalhar e construí grandes amizades. Estou muito feliz e motivado por ter retornado. E quando entro numa empreitada, eu costumo entrar para ganhar. Me dedico muito, sou apaixonado. A oportunidade todos têm, mas não podemos vacilar. Nem sempre temos uma segunda chance. Por isto, é preciso agarrar a oportunidade e lutar muito para fazer acontecer e vencer.
A relação próxima com os clientes e a habilidade em negociar são seus pontos fortes?
Com certeza. Na área comercial, não basta apenas assinar o contrato. O cliente quer ouvir, quer obter informações da empresa, trocar informações, conhecer a cidade. Por isto, o vendedor precisa estar atualizado com tudo o que acontece. É o que eu procurava fazer. Com isto, consegui fechar grandes contratos. É fundamental sempre manter o contato, dar um retorno, estar disposto a conversar e manter a proximidade. Não por acaso, muitos clientes se tornaram grandes amigos.
No ano passado você se afastou do jornal para viver uma experiência inédita em sua vida: coordenar a campanha eleitoral de Gilson de Souza. Como foi essa experiência?
Foi uma experiência maravilhosa, muito cansativa, porém, gratificante. Desde o começo, eu sempre acreditei muito. Quando você acredita em alguma coisa, você tem que lutar até o final. Isso faz toda diferença. Temos que lutar pelos nossos sonhos e dedicar pelos projetos até o fim. Não podemos desistir. (Na campanha...) enquanto muitos estavam duvidando das chances do Gilson, a nossa equipe estava trabalhando muito, sempre com humildade. Traçamos uma meta e conseguimos atingi-la. Fiquei muito feliz de fazer parte deste projeto vencedor.
Você se considera um dos responsáveis pela vitória do Gilson?
Por eu estar mais próximo do Gilson, era natural que tivesse maior exposição. Acredito que tive uma participação importante, sim, mas não conseguira nada sozinho. O Gilsinho (Gilson de Souza Júnior, filho do prefeito) também teve um papel fundamental, ajudou muito. (A campanha) era pequena, sem recursos financeiros, mas muito unida. A gente conversava, se respeitava e trabalhava muito. Foi uma campanha sem dinheiro e feita na rua. O Gilson tem muita experiência e uma popularidade impressionante. Saímos de 35 mil votos no primeiro turno para mais de 93 mil no segundo turno. Isto é inédito.
Você se tornou o assessor mais próximo do prefeito até se desligar da Prefeitura. Como foi deixar um empresa de comunicação e trabalhar no Poder Executivo?
O batidão é duro, muito difícil. É uma realidade totalmente diferente. Ao sair da iniciativa privada e entrar no serviço público, nós, que somos muito acelerados, sentimos um baque. As coisas não andam, os processos são muito burocráticos. Por mais que o gestor tenha interesse e saiba que precisa resolver as coisas rápido, ele fica muito engessado por regras específicas, por trâmites legais muito rígidos. Mas foi outra experiência incrível... Foi outro grande aprendizado saber como funciona a engrenagem do governo municipal por dentro. Sou muito grato pela oportunidade.
O que levou você a aceitar o convite para ser o novo Diretor Executivo do GCN?
O desafio é grande, mas a vontade de fazer um excelente trabalho é maior. Estamos falando de um jornal de tradição, que vai completar 102 anos, de uma rádio que é líder de audiência e de um portal de notícias que chega a ter mais de 160 mil acessos por dia. Nosso produto é muito bom, incomparável, e precisa ser mostrado para o mercado. Estou muito empolgado e acredito que vamos conseguir resultados positivos em breve.
O momento econômico conturbado em todo o País te preocupa? Como vender propaganda num período de crise?
Só existe um jeito de superar a crise: trabalhando. É isto, que vamos fazer. Se trabalharmos em grupo, vestirmos a camisa da empresa e fazermos o que mais sabemos fazer, conseguiremos vencer qualquer obstáculo. Um exemplo disto foi a própria campanha eleitoral. Ninguém acreditava e saímos vencedores. Já trabalhei muito esta semana, fiz reuniões com grandes clientes e estou muito otimista.
Houve muitos boatos nestas últimas semanas de que uma construtora poderia estar se associando ao jornal? Também houve especulação de donos de postos de combustível, de gente ligada a farmácia, de empresários do setor hoteleiro... O que há de verdade nisso?
Nada. Isto não existe. Para começar, o Júnior, a dona Sônia e eu mesmo jamais aceitaríamos uma situação dessas, qualquer tipo de negócio escuso. O que acontece é que em Franca tem muitos boatos, um coisa doida... São versões sem fundamento, mas já estamos acostumados com isto.
Quem está com você então?
Estamos buscando alguns parceiros para compor nosso grupo, que desejem investir no negócio, mas ninguém ligado a estas empresas ou segmentos que você mencionou. As conversas estão avançadas, mas não tem nada fechado. Mas é gente de Franca, interessada em fazer um bom negócio e investir numa empresa com uma longa história. Vamos trabalhar. O meu objetivo é fazer uma gestão diferenciada, austera, buscar novos clientes e mostrar que o jornal é uma marca muito forte, que a rádio é um canhão de audiência e que o portal tem um número de acesso impressionante, que faz dele um dos maiores do País. Por isso mesmo, não estou apenas confiante, tenho certeza absoluta de que vamos fazer um grande trabalho e que vai dar tudo certo. E que venham os próximos 100 anos.
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