Desde o fim de março, quem precisa fazer algum exame de alto custo na rede municipal de saúde tem enfrentado filas que chegam a durar mais de duas horas. Isso porque o governo Gilson de Souza (DEM) resolveu cancelar o convênio que era mantido com as clínicas particulares para este tipo de exame, que passou, então, a ser realizado no Laboratório Municipal, que funciona junto ao Centro de Doenças Sexualmente Transmissíveis, no Centro.
O problema é que, no Laboratório Municipal, não há espaço para atender toda a demanda de pacientes que começam a chegar nas primeiras horas da manhã. Filas acabam se formando e, mesmo doentes, as pessoas são obrigadas a esperar em pé por horas debaixo de sol ou chuva. As queixas são constantes.
Nas redes sociais, já há vídeos feitos pelos pacientes indignados com a situação. “Fui com a minha mãe que precisa colher sangue para um exame. Chegamos às 8 horas e só fomos atendidas às 10h40. Ela estava em jejum, com dores e teve de esperar em pé. Acho muita falta de respeito”, disse uma estudante de 24 anos, moradora no Portinari, que pediu para não ser identificada.
Ontem a reportagem esteve no laboratório e constatou que, de fato, a fila de espera é grande e chega a contornar o prédio, onde outros atendimentos também são realizados.
Resposta
O secretário municipal de Saúde, Rodolfo Moraes, explicou que o cancelamento do convênio com as clínicas particulares foi definido por conta de um parecer jurídico. “A lei proíbe que a Prefeitura repasse a particulares serviços que ela tem capacidade de realizar . É o caso dos exames de alto custo. Nosso laboratório tem condição de realizá-los e com um custo bem menor”.
De acordo com o secretário, em 2016, foram realizados 614 mil exames na rede municipal, sendo que, destes, 3% ou cerca de 18 mil exames eram de alto custo. “Só que, com as clínicas particulares, eles consumiam mais da metade dos recursos. Não tem cabimento isso”, explicou.
Sobre as filas, ele disse que a Secretaria deve tomar providências a partir de hoje. “Como uma solução mais emergencial, vamos colocar cobertura e cadeiras”, disse ele. Para resolver o problema das filas, disse que o laboratório será transferido para um local mais adequado. “Estamos fazendo todo o esforço para agilizar a mudança. Nossa previsão é que até o final de agosto o novo espaço esteja pronto”, disse, sem revelar onde será instalado o laboratório.
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