De volta à barbárie


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INTOLERÂNCIA AINDA É O COMBUSTÍVEL DE ATAQUES QUE MATAM INOCENTES
Ao longo da história da humanidade, uma série de episódios mostrou que a religião, seja ela qual for, é capaz de atrocidades contra os que não concordam com uma leitura deturpada dos respectivos textos sagrados. Romanos mataram e dominaram judeus, muçulmanos e católicos se mataram nas chamadas cruzadas e a Igreja Católica promoveu uma verdadeira (e literal) caça às bruxas, na Idade Média. Em todos estes casos, a religião era usada como forma de justificar atos violentos, o assassinato de semelhantes e a dor causada a adversários. Há fatos onde a intolerância não era religiosa, como a perseguição aos judeus pela Alemanha na II Guerra e os conflitos que ainda hoje se veem no Oriente Médio. É uma perseguição que atravessa séculos onde os inocentes pagam a conta de um antagonismo que só serve para causar dor.
 
Quem acompanha o noticiário internacional percebe que estamos às portas de um retorno aos períodos negros da história universal, onde a intolerância reliogiosa vem sendo levada aos extremos, em guerras e ataques em diversos pontos do planeta. E, nesse contexto, quem mais sofrem são os inocentes, mortos ou retirados de seus lares por causa de uma violência praticada em nome de Deus em suas diversas denominações. Além das centenas de milhares de vítimas, há milhões que vagam em terras estranhas atrás de uma paz que está longe de ser conseguida. O episódio envolvendo o filme “Mulher Maravilha” é esclarecedor: o governo do Líbano, muçulmano, proibiu a exibição da produção norte-americana pelo simples fato de que Gal Gadot. que vive a heroína, é israelense. Outros países do Oriente Médio, em razão da rivalidade secular entre muçulmanos e judeus, devem tomar a mesma decisão. A religião — e praticamente todas pregam a tolerância — não pode servir de escudo para o radicalismo.
 
Até quando esta visão torta dos ensinamentos do mestre Maomé vai continuar provocando tanto sofrimento? A violência e o inesperado dos ataques deixa o mundo de prontidão. O problema maior é que o Estado Islâmico continua conseguindo a adesão de cidadãos dos países que sofreram ataques nos últimos anos e cria células dentro dos territórios que considera inimigos e ampliam seus tentáculos para a África (com o Boko Haram na Nigéria), atacando os “valores ocidentais”. A intolerância e a interpretação distorcida do Alcorão continuam colocando o mundo todo em perigo, num momento em que não se consegue combater o avanço de uma filosofia que sobrevive à custa de mortes e o resgate que recebe dos sequestros que con tinua promovendo. Até quando o mundo continuará à mercê de grupos radicais é a grande pergunta. E a resposta ainda é uma incógnita.
 

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