EUFORIA do planalto COM CRESCIMENTO DO PIB AINDA é UM POUCO EXAGERADA
Quem acompanha o dia a dia do País sabe que, diante das crises econômica e política, qualquer pequena notícia positiva é motivo de ruidosa comemoração. Mas deve-se manter a cautela, evitando-se qualquer queima de fogos com os dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Muito pelo contrário: parte do mercado ligou a luz de alerta, uma vez que uma análise fria dos números indica sérios problemas em áreas estratégicas da eeconomia nacional. O PIB brasileiro cresceu 1,0% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2016 e interrompe um ciclo de oito quedas trimestrais consecutivas, informou o IBGE. A notícia foi motivo de comemoração do presidente Michel Temer e do ministro da Fazenda Henrique Meirelles. O PIB do primeiro trimestre do ano totalizou R$ 1,594 trilhão.
De acordo com diversos economistas, os números indicam que o potencial de crescimento do País continua em queda. Dados de investimento são apontados como exemplo: tiveram recuo de 3,7% no primeiro trimestre do ano ante igual período de 2016, completando 12 trimestres de queda. A taxa atingiu 15,6%. Só isso mostra que as comemorações do presidente e ministro, anunciando o fim da recessão, foram exageradas. Economistas ponderam que o resultado deve ser analisado com cautela e que o ritmo da recuperação ainda é incerto, sobretudo com a crise política desencadeada com as recentes delações da JBS.
Segundo as projeções do mercado, um recuo do PIB no segundo trimestre, frente ao período de janeiro a março, tem 60% de probabilidade de acontecer. O motivo é o menor efeito do PIB agropecuário, que foi o grande destaque dos números anunciados ontem, com crescimento de 13,4%, o maior da história. Sem ele, o índice não teria subido 1% (ficaria em 0,2%). Além disso, é preciso olhar para os indicadores do segundo trimestre que já existem, como produção industrial e vendas do comércio: todos mostram uma economia ainda muito fraca. Há, portanto, um risco muito grande de que haja uma queda do PIB no segundo trimestre. Só com crescimento positivo em dois trimestres seguidos é possível indicar o fim da recessão. E, pelo andar da carruagem, não é o que os números iniciais estão apontando.
Há quem diga que o diagnóstico de fim da recessão é “falacioso” e “prematuro”. O resultado positivo do PIB se deve inteiramente ao setor agropecuário, com a supersafra. O restante ainda está todo no vermelho, tanto do lado da produção como do lado da demanda — com exceção das exportações, que em parte também refletem a safra recorde. Portanto, é preciso esperar para ver o que vai acontecer ainda neste ano antes de afirmar que a recessão ficou para trás.
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