TABAGISMO CAUSA UM PREJUÍZO DE QUASE R$ 57 BI POR ANO AO BRASIL
Diante da crise crescente que atinge o País (econômica e política, esta por causa das investigações da Lava Jato), passou praticamente despercebido o Dia Mundial Sem Tabaco, ontem. De acordo com relatório divulgado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), o tabaco mata, por ano, mais de sete milhões de pessoas no mundo. No documento, a instituição avaliou o impacto do consumo da substância na saúde, na economia e no meio ambiente e defendeu a proibição da propaganda e o aumento dos preços e impostos sobre o produto, como forma de reduzir seus males. O tabagismo atualmente custa aos governos e populações cerca de US$ 1,4 trilhão anuais em gastos com saúde e perda de produtividade.
Só Brasil tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões. Desse total, R$ 39,4 bilhões são gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura. Por outro lado, a arrecadação de impostos com a venda de cigarros no País é de R$ 12,9 bilhões, o que gera saldo negativo de R$ 44 bilhões por ano, revela o estudo “Tabagismo no Brasil: Morte, Doença e Política de Preços e Esforços”, feito com base em dados de 2015. O trabalho foi apresentado pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer José de Alencar Gomes da Silva), em evento no Rio de Janeiro. A DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) é a enfermidade relacionada ao tabagismo que mais gerou gastos aos sistemas público e privado de saúde em 2015, com R$ 16 bilhões. Doenças cardíacas vêm em segundo lugar, com custo de R$ 10,3 bilhões.
Em 2015, morreram no País 256.216 pessoas por causas relacionadas ao tabaco, o que representa 12,6% dos óbitos de pessoas com mais de 35 anos. O estudo informa ainda que, desse total, 35 mil foram vítimas de doenças cardíacas e 31 mil de DPOC. O câncer de pulmão é o quarto motivo de morte relacionado ao tabagismo, com 23.762 casos. O fumo passivo foi a causa de morte de 17.972 pessoas. O estudo fez uma simulação para os próximos 10 anos com a elevação de 50% no preço dos cigarros. Essa medida evitaria mais de 130 mil mortes, 500 mil infartos, 100 mil AVCs e quase 65 mil casos de câncer. Além disso, renderia ganhos de R$ 97,9 bilhões com o aumento da arrecadação tributária e a diminuição dos gastos com a saúde e da perda de produtividade. O Brasil vem conseguindo reduzir o vício com leis e tributação pesada, mas não há ainda um suporte mais efetivo para levar o fumante a deixar o cigarro. E é isso que precisa ser feito, tratar o combate ao tabagismo como política pública e prioritária de saúde, além de reprimir o tráfico que inunda o mercado de cigarros produzidos no Paraguai e em fábricas clandestinas no País. Sem isso, não haverá qualquer avanço.
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