POLÍTICOS NÃO TRABALHAM PELO BEM GERAL; DEFENDEM SÓ O QUE LHES DÊ VANTAGENS
Não é a primeira vez que abordamos este assunto por aqui. E, pelo andar da carruagem, não será a última. A questão é que a classe política brasileira, em sua grande e esmagadora maioria, não se deixa levar pelos interesses da população brasileira que, na realidade, lhe dá o mandato e garante os seus vencimentos. Como se dizia antigamente, “primeiro os meus” é o que move não apenas os eleitos para cargos administrativos, mas também todos os demais que engrossam a máquina administrativa, ocupando cargos comissionados nos quais se preocupam apenas com os salários e benesses proporcionados pelos cofres públicos. Qualquer decisão a ser tomada, no âmbito dos legislativos, só é avaliada em termos pessoais.
Nos últimos dias, as movimentações que se verificam no centro do Poder, em Brasília, deixam bem clara a forma como as coisas são feitas em nosso País. Ameaçado por um impeachment no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e na corda bamba depois das gravações do empresário Joesley Batista, da JBS, o presidente Michel Temer (PMDB) está pisando em brasas, tentando dar uma sobrevida ao seu governo. A saída de Osmar Serraglio do Ministério da Justiça é uma clara demonstração de que o presidente tenta conseguir algum controle sobre a Polícia Federal, subordinada à pasta, colocando em seu lugar um nome com maior trânsito junto aos tribunais superiores e menos simpático à Operação Lava Jato. A pressão do Congresso, com a maioria de seus membros implicados com a corrupção, funcionou mais uma vez. E os deputados e senadores não fazem a menor questão de pelo menos disfarçar o corporativismo e o fisiologismo que os move. Não há disposição em defender os interesses da maioria da população que hoje se vê abandonada e efetivamente penalizada, tendo que tirar dos bolsos o dinheiro necessário para cobrir os rombos da errática política econômica dos últimos anos e os desvios da corrupção que envolve agentes públicos e políticos.
Quando um parlamentar ou político defende abertamente o povo, é preciso saber ler nas entrelinhas e buscar as suas verdadeiras motivações. A prova disso é a comparação dos discursos de cada partido quando na situação e na oposição. Todo situacionista usa os mesmos argumentos, independente da ideologia partidária. O mesmo ocorre com os oposicionistas. Enquanto isso o brasileiro continua sendo cobrado de forma crescente no decorrer dos anos, sem que tenha acesso a serviços públicos de qualidade. Por isso, antes de qualquer coisa, precisamos reavaliar as nossas escolhas, nas eleições proporcionais ou majoritárias, para mostrarmos àqueles que se consideram perenes, a nossa insatisfação. Do contrário, continuaremos alijados das decisões que nos afetam, como vem ocorrendo até agora.
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