BAIXA ADESÃO ESCONDE UM MITO QUE COMEÇA A SE ESPALHAR PELO MUNDO
A prorrogação da imunização contra a gripe no Brasil por causa da baixa adesão é reflexo de um fenômeno global que cresce mais e preocupa as autoridades sanitárias de todo o mundo: o mito de que a vacina pode causar a doença contra a qual é aplicada. No caso da gripe, a meta do Ministério da Saúde era imunizar 90% do público alvo (pessoas com maior risco de desenvolverem complicações por conta da gripe), mas em Franca até a última quinta-feira apenas 48,5 mil pessoas haviam recebido a dose indicada, o que representa apenas 54,81% de cobertura. Em alguns grupos como, por exemplo, as gestantes, o índice foi ainda menor, 43,56%. Como Franca, segundo o Ministério da Saúde, milhares de cidades também não conseguiram atingir a meta de vacinação e também terão a vacinação prorrogada. No Brasil, o percentual de imunização ficou em 63,6% de um total de 54,2 milhões de pessoas.
Embora o País tenha um dos mais reconhecidos programas públicos de vacinação do mundo, com os principais imunizantes disponíveis a todos gratuitamente, vêm ganhando força grupos que se recusam a vacinar os filhos ou a si próprios. Esses movimentos estão sendo apontados como um dos principais fatores responsáveis por um recente surto de sarampo na Europa, onde mais de 7 mil pessoas já foram contaminadas. No Brasil, os grupos são impulsionados por meio de páginas temáticas em redes sociais que divulgam, sem base científica, supostos efeitos colaterais das vacinas. O avanço desses movimentos já preocupa o Ministério da Saúde, que observa queda na cobertura de alguns imunizantes oferecidos no SUS (Sistema Único de Saúde). No ano passado, por exemplo, a cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, teve adesão de apenas 76,7% do público-alvo.
A questão ressalta por um completo desconhecimento. Nas postagens, os pais compartilham notícias publicadas em blogs, a maioria de outros países e em inglês, sobre as supostas reações às vacinas -- por exemplo, relacionando-as ao autismo. Há quem diga ainda que as vacinas, em vez de imunizar, são causadoras das doenças que deveriam prevenir. A situação é complicada, uma vez que, segundo as autoridades médicas se sanitárias, trata-se de doenças imunopreveníveis, que podem voltar a circular se a cobertura vacinal cair, principalmente em um contexto em que ocorrem muitos deslocamentos entre diferentes países. Por isso, é necessária uma tomada de consciência dos próprios pais, já que não há qualquer comprovação científica de possível efeito das vacinas, para que não voltemos ao panorama do início do século passado, quando se morria por causa de doenças que hoje podem ser prevenidas e controladas.
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