Ping pong


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A quantidade de assuntos políticos e jurídicos dos últimos dias motivou-me a inovar em minha coluna de hoje, repercutindo, em um único texto, cinco desses marcantes acontecimentos. Primeiro: seguramente os proprietários do Grupo JBS criaram um novo modelo para o “Bolsa Família”. Sim, pois eles, generosamente, pagaram vultosas somas em dinheiro para as famílias do deputado Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, que estão presos. Alegam que a intenção foi não permitir que os familiares desses presos ficassem ao desamparo.
 
Segundo: a prefeita de Ribeirão Preto Dárcy Vera consultava rotineiramente com o “Guru das Estrelas” Robério de Ogum. A pergunta que não quer calar: será que ele previu o inferno astral que ela iria enfrentar? 
 
Terceiro: as delações dos irmãos Batista, do Grupo JBS, parece que tiveram dois claros objetivos: evitar a cadeia e lucrar no mercado financeiro. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) vai apurar as operações suspeitas do grupo às vésperas do caos econômico que as delações deles causaram no mercado.
 
Quarto: especialistas reconhecem que o áudio da conversa do Joesley Batista com o presidente Michel Temer pode não servir como prova, pois parte é inaudível, há incongruências nos diálogos e pode ter havido edição. Porém a intimidade do presidente com o delator Joesley é fato inegável. 
 
Quinto: quando Tancredo Neves faleceu, houve uma verdadeira comoção, só vivenciada depois, com a morte de Ayrton Senna. Mas houve, na época, um certo conforto, pois ele tinha um promissor neto que herdaria o seu carisma e espólio político. 
 
Infelizmente, agora, o povo toma conhecimento de que o neto, pelo menos em idoneidade e firmeza de caráter, não é nem sombra do que foi o avô. O tempo é o senhor da razão.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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