A ex-prefeita de Ribeirão Preto Dárcy Vera (PSD) teve suspensa pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) a liminar que a mantinha em liberdade e foi detida pela Polícia Federal nessa sexta-feira. Ela é acusada de envolvimento em um esquema que desviou R$ 203 milhões dos cofres da Prefeitura ribeirão-pretana, caso investigado na Operação Sevandija, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Ela está presa em Franca.
Por volta de 6 horas, agentes buscaram a política em sua casa, no bairro Riberânia, e, após ser levada para a sede da PF em Ribeirão, recebeu voz de prisão. Por pelo menos três dias, Dárcy ficará recolhida na Cadeia Feminina do Jardim Guanabara. A previsão é de que ela permaneça na cidade até que se abra uma vaga na Penitenciária de Tremembé.
Depois de passar pelo IML (Instituto Médico Legal) e almoçar em Ribeirão Preto, a ex-prefeita chegou à cadeia de Franca. O relógio marcava 13h15 de uma sexta-feira chuvosa. Estava em uma viatura da Polícia Federal e, logo que desceu do veículo, foi para o setor de triagem da carceragem. Um policial ficou responsável por carregar uma pequena mala e uma sacola da nova detenta, nas quais estavam suas roupas e produtos de higiene pessoal.
Dárcy foi levada para uma cela e pôde escolher onde se acomodaria e qual seria seu leito, já que a cadeia está praticamente vazia desde abril, quando o governador Geraldo Alckmin (PSDB) decretou que o Guanabara abrigará apenas presas temporárias e aquelas que aguardam vaga e inclusão no sistema da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária).
Segundo informações de funcionários do Guanabara, ela e Maria Lúcia Pandolfo, da Coderp (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto), que, segundo o apurado na Operação Sevandija, teria participado do esquema de fraudes em licitações com a ex-prefeita, ficaram na mesma cela.
Atenciosa e educada com todos, Dárcy conheceu rapidamente as dependências de sua “moradia provisória” de 12 metros quadrados, escolheu uma das seis camas da cela e pegou os cobertores e toalhas correspondentes a ela.
Sem televisão e rádio em sua cela, a ex-prefeita passou uma sexta-feira tranquila e em silêncio. Não fez nenhum pedido especial e, à noite, comeu a marmita servida para as detentas: arroz, feijão, carne, salada e uma fruta.
A passagem de Dárcy Vera pela cadeia de Franca será breve. Possivelmente, nesta segunda-feira ela já deverá ser transferida para a Penitenciária de Tremembé, no Vale Paraíba. A mudança depende de abertura de vaga.
Dárcy passará o domingo apenas na companhia de Maria Lúcia Pandolfo, ex-funcionária da Coderp (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto), que também foi presa na sexta-feira. As visitas na cadeia do Guanabara são feitas às quartas-feiras. Mesmo se ainda estiver na cidade até lá, a ex-prefeita de Ribeirão Preto não poderá receber ninguém por ser uma presa “em trânsito”. Está apenas de passagem por Franca.
colaborou Edson Arantes
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