Uma colunista de jornal de grande circulação escreveu que, ao completar a idade dos quarenta, sentiu-se livre como nunca, tornando-se dona do seu tempo, do seu corpo, das suas ideias. Agora, podia namorar quem bem entendesse, transar com quem escolhesse, tomar todas, até se embriagar e ser levada para casa por amigos, falar o que bem quisesse, enfim, fazer o que lhe desse na cabeça, sem ter que dar satisfação a ninguém. Estranha a revelação da escritora que, livre, mostrou-se disposta a escravizar-se a vícios e paixões gravemente comprometedores.
Todos somos rebeldes ao controle de pessoas e sistemas. Quando atingimos a idade adulta, muitas vezes, conservamos desejos mal resolvidos da adolescência. No caso concreto, o que surpreende é o fato de uma colunista de grande jornal ignorar que o comprometimento vicioso mais a aprisionará, em todos os sentidos.
Imperfeitos como somos, não podemos impor aos outros qualidades que não possuímos, todavia, é preciso que se leve em conta que liberdade tem seu contraponto na responsabilidade. Cem por cento de liberdade requer, matematicamente, cem por cento de responsabilidade. Se, por exemplo, a pessoa se torna enferma por excessos que cometeu, por ser livre, teve sua liberdade comprometida. Já, aquele que é verdadeiramente responsável é livre para fazer tudo quanto deseja fazer, porque só deseja fazer o que é correto.
Liberdade de fazer o que quer é aquela que não responsabiliza a consciência, onde se acha inscrita a Lei de Deus, que nos pede equilíbrio, como ensinam os Luminares espirituais que consolidaram a Doutrina Espírita.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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