Adérmis Marini (PSDB) não tem relação com a Lava Jato e também não foi citado em delações premiadas. Mas foi atingido em cheio pelo terremoto político que sacudiu Brasília após o dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, gravar o presidente Michel Temer (PMDB) dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois que ele foi preso. Marini está arrumando as malas para retornar a Franca.
No começo da noite de ontem, o ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS), entregou ao presidente Michel Temer uma carta de demissão do cargo. Ele tomou a decisão porque Temer decidiu não renunciar.
Eleito pela coligação liderada pelo PSDB, Freire havia assumido o ministério em novembro, quando substituiu Marcelo Calero. Reeleito vereador, Adérmis assumiu como deputado federal dia 2 de janeiro, justamente, na vaga aberta pela condução de Freire à pasta da Cultura. Agora, ele terá que voltar para Franca. É provável que já participe da próxima sessão, terça-feira, na condição de vereador.
“A régua moral é a lei. Apoio total à Operação Lava Jato que atinge PT, PMDB e PSDB. Seguindo meus princípios e valores, defendo neste momento o que defendi durante o governo Dilma (Rousseff), do PT. Defendo a saída dos ministros do governo, atitude que me tira o mandato do deputado federal. Temer precisa renunciar ou será retirado da presidência. É hora de pensar no Brasil e coragem para passar o Brasil a limpo”, disse Adérmis, em transmissão ao vivo na suas redes sociais, por volta das 11 horas de ontem.
No final da tarde, quando Temer já havia afirmado que não renunciaria e Roberto Freire havia entregado a carta de demissão, Adérmis fez nova transmissão e falou em tom de despedida da Câmara Federal. “Fica um sentimento de gratidão ao povo de Franca e à região que tão bem me recebeu. O nosso trabalho não vai parar. O Brasil está sangrando, nossa geração está machucada, mas temos que passar o Brasil a limpo e continuar lutando. Vamos voltar para Franca de cabeça erguida.”
O retorno de Adérmis provocará um efeito dominó na Câmara Municipal. O vereador Diretor Marcos, empossado no dia 2 de janeiro, perderá a cadeira e retornará à condição de primeiro suplente do PSDB. Marcos é o relator da Cear (Comissão Especial de Assuntos Relevantes) aberta para fiscalizar os contratos assinados entre a Prefeitura e a Empresa São José. Seu substituto na Cear não está definido. A Câmara informou que é provável que a vaga seja preenchida por um dos membros suplentes da Comissão - Carlinhos da Farmácia (PMDB), Cristina Vitorino (PRB) e Della Motta (PTN) -, mas que a confirmação só poderia ser feita nesta sexta-feira, após análise do Regimento Interno.
Balançando
A delação de Joesley Batista também provocou calafrios em Aírton Sandoval (PMDB). Suplente, ele assumiu como senador no dia 9 de março na vaga aberta por Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), que havia aceitado o convite para ser o ministro das Relações Exteriores no lugar de José Serra (PSDB).
A imprensa nacional divulgou que Aloysio teria escrito a carta de demissão, mas o PSDB recuou após a divulgação do áudio e decidiu permanecer no governo.
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