BANCOS DE LEITE MATERNO PRECISAM DE MAIOR NÚMERO DE DOADORAS
Quando o Brasil permitia a escravidão, havia a figura da ama de leite, uma escrava que havia tido filho escalada para amamentar o filho dos seus “donos”. Naquela época, era comum a prática, mesmo que a própria mãe pudesse amamentar. E isto se tornou comum, mesmo depois da abolição da escravatura e chegou até a meados do século passado, quando mulheres eram solicitadas a amamentar crianças prematuras nos hospitais ou então crianças cujas mães não produziam leite suficiente. Com o passar dos anos, foram surgindo os bancos de leite ligados a instituições hospitalares, que têm auxiliado muitas mães na nutrição dos filhos. Pediatras aconselham que, pelo menos nos primeiros seis meses de vida, o bebê tenha o leite materno como principal fonte de nutrição.
Atualmente, o Brasil tem a maior e mais complexa rede de bancos de leite do mundo, com 221 unidades e 186 postos de coleta, segundo o Ministério da Saúde. Apesar da estrutura e das mobilizações, o número de doações ainda é baixo e a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano consegue suprir aproximadamente 60% da demanda para os recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) neonatais do país. Para ampliar a conscientização sobre a importância da doação de leite humano e incentivar a prática entre as mães que amamentam, o ministério lançou a campanha Doe Leite Materno de 2017, em parceria com a rede de bancos de leite. A amamentação é o principal fator de redução da mortalidade infantil, pois diminui a ocorrência de diarreias e infecções, principais causas de morte em recém-nascidos. Estima-se que o aleitamento materno reduza em até 13% a morte de crianças menores de 5 anos por causas preveníveis.
No Brasil, nascem aproximadamente 3 milhões de bebês por ano, e 14% deles são prematuros ou têm baixo peso (menos que 2,5 quilos). Desenvolvida há 32 anos, a estratégia de bancos de leite beneficiou, entre 2009 e 2016, mais de 1,8 milhão de recém-nascidos e teve apoio de 1,3 milhão de doadoras. Segundo o Ministério da Saúde, em 2001, a OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano como uma das ações que mais contribuíram para a redução da mortalidade infantil no mundo na década de 1990. De 1990 a 2012, a taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu 70,5%. A doação de leite humano também representa uma economia de R$ 180 milhões com a diminuição da necessidade de compra de fórmulas artificiais nas maternidades do SUS (Sistema Único de Saúde). Em Franca, o Banco de Leite Materno da Santa Casa também faz campanha por doações, já que trabalha sempre com estoques “enxutos”. Benefícios: o bem estar da criança e a paz de espírito das doadoras.
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