CONCESSÕES DO GOVERNO REDUZEM MUITO OS BENEFÍCIOS DAS REFORMAS
Nos últimos meses, o Brasil tem acompanhado as negociações entre governo federal e Congresso para aprovar as reformas que o presidente Michel Temer (PMDB) e sua equipe econômica têm considerado essenciais para a retomada do crescimento do País. Porém, o que se viu até agora foram diversas concessões aos parlamentares que reduziram em muito a economia prevista para os próximos anos. Só não mexeram na cota de sacrifício cobrada dos brasileiros que não fazem parte das prioridades da maioria dos parlamentares, os quais trabalham movidos por interesses pessoais. Já se fala, agora, em manter o famigerado imposto sindical — todos com carteira assinada têm que destinar um dia de seu trabalho a entidades sindicais, mesmo não sendo sindicalizados, dinheiro que é utilizado politicamente para financiar manifestações polítivas e a boa vida daqueles que se dizem líderes dos trabalhadores. A economia que se pretendia para turbinar os cofres da Previdência já caiu pela metade anunciado inicialmente.
E a farra continua: em busca de votos para aprovar a reforma da Previdência, o governo cedeu nas negociações com o Congresso e concordou em permitir descontos de multas e juros no novo programa criado para regularização de dívidas de empresas com o fisco. Batizado como PRT (Programa de Regularização Tributária) e popularmente conhecido como novo Refis, o novo plano começou a ser discutido depois que o Congresso alterou proposta original do governo, incluindo vários benefícios para devedores. Até ontem, a expectativa de arrecadação com o novo Refis, que era de cerca de R$ 8 bilhões com a proposta original do governo, passou para cerca de R$ 1 bilhão no novo plano. A versão apresentada pela comissão especial criada pelo Congresso para examinar a proposta original do governo provocaria uma perda de arrecadação de R$ 23 bilhões. O governo também negocia benefícios para produtores rurais que têm dívidas com o Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural).
Como se pode ver, as reformas Trabalhista e da Previdência não estão poupando os mais sacrificados: os próprios trabalhadores. Vários benefícios foram concedidos, mostrando que governo e parlamentares não focam unicamente na recuperação da combalida economia brasileira, que deveria ter prioridade total. Pontos que atingiam servidores públicos, parlamentares e militares, os quais teriam que se submeter aos regimes trabalhista e previdenciários de todos os brasileiros, foram imediatamente cortados do projeto original. Assim, corre-se o risco de as duas reformas não conseguirem atingir os objetivos propostos pelo governo. A falta de espírito público de nossa classe política fica patente e o brasileiro precisa, usando da única arma de que dispõe (o voto) deixar clara a sua discordância.
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