'Ainda tenho medo que ele me mate', diz mulher baleada


| Tempo de leitura: 3 min
Juliana Proença Ferreira, de 37 anos, foi baleada pelo ex no estacionamento de um supermercado em Franca
Juliana Proença Ferreira, de 37 anos, foi baleada pelo ex no estacionamento de um supermercado em Franca
A atendente Juliana Proença Ferreira, de 37 anos, que no último dia 25 de abril foi baleada pelo ex-namorado no estacionamento do Tonin Superatacado, no Leporace, prestou depoimento à polícia nesta segunda-feira. Ao delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Márcio Murari, responsável pelas investigações, Juliana confirmou a versão que já havia dado aos policiais que atenderam a ocorrência. Ela disse que conheceu seu agressor e ex-namorado, o caminhoneiro Donizete Luis de Pádua, aos 14 anos, quando ambos moravam em Passos, Minas Gerais. Disse que logo começaram a namorar e que nunca soube que ele ainda era casado. “Ele disse que estava separado e nunca escondeu nosso relacionamento”, disse. 
 
Ela contou, também, que durante os mais de 20 anos em que estiveram juntos, Donizete sempre foi tranquilo e que a ajudou muito, principalmente, quando há quatro anos ela se mudou para Franca atrás de emprego. Juliana disse que o relacionamento começou a esfriar depois que Donizete passou a trabalhar na Usina Cevasa. “A gente se via uma vez a cada 15 dias. As coisas foram esfriando e, em dezembro, resolvi terminar”. Ela disse que o caminhoneiro não aceitou o fim do relacionamento e passou a pedir para que reatassem e a ser agressivo. 
 
Em março ele a convidou para ir a uma lanchonete conversar e lá a agrediu com um tapa na cara e a obrigou a entrar em seu carro. “Ele me levou a um pontilhão. Estava com duas armas e uma faca. Disse que se eu não voltasse com ele, ele me mataria. Eu consegui acalmá-lo e ele acabou desistindo da agressão”. 
 
Depois deste episódio, Juliana disse a Donizete que procuraria a Delegacia da Mulher, o que o deixou mais irritado. “Ele mandava mensagens dizendo que ia me matar. Depois falava que me amava e que nunca me machucaria. Era isso o tempo todo”. Ela disse que, por conta do comportamento de Donizete, tinha pedido demissão do emprego e pensava em voltar para Passos. 
 
Ela disse que o encontro com o ex deveria ter acontecido na Páscoa, 10 dias antes do ocorrido. “Ele disse que tinha comprado um ovo de Páscoa para mim como despedida e que estava se mudando para Mato Grosso ou Tocantis”. Mas o encontro não teria dado certo por conta de problemas no trabalho de Donizete. No dia dos fatos, por volta das 19 horas, ele ligou e ela foi encontrá-lo. “Eu não queria sair do estacionamento com ele e foi aí que a discussão começou. Ele sacou a arma e disse que se não fosse me mataria ali mesmo. Como eu iria morrer do mesmo jeito, decidi correr. Foi quando ele começou a atirar”. 
 
Juliana conta que ainda tem medo do ex. “Eu não tenho dormido. Ainda tenho medo de que ele venha atrás de mim terminar o que começou. Não tenho paz”. Ela disse que até sua amiga com quem dividia o apartamento onde mora já se mudou com medo de Donizete. Juliana negou que tenha qualquer outro relacionamento e disse também que nunca procurou Donizete para reatar a relação. “Quem vinha atrás de mim era ele”. 
 
O delegado Márcio Murari disse o advogado de Donizete esteve na delegacia. “Ele veio para tomar ciência do depoimento da vítima e se comprometeu a apresentar o autor ainda nesta semana”. Donizete é considerado foragido. Sua prisão temporária já foi decretada pela Justiça. Segundo Márcio, assim que se apresentar, ele deve ser preso. 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários