A atendente Juliana Proença Ferreira, de 37 anos, que no último dia 25 de abril foi baleada pelo ex-namorado no estacionamento do Tonin Superatacado, no Leporace, prestou depoimento à polícia nesta segunda-feira. Ao delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Márcio Murari, responsável pelas investigações, Juliana confirmou a versão que já havia dado aos policiais que atenderam a ocorrência. Ela disse que conheceu seu agressor e ex-namorado, o caminhoneiro Donizete Luis de Pádua, aos 14 anos, quando ambos moravam em Passos, Minas Gerais. Disse que logo começaram a namorar e que nunca soube que ele ainda era casado. “Ele disse que estava separado e nunca escondeu nosso relacionamento”, disse.
Ela contou, também, que durante os mais de 20 anos em que estiveram juntos, Donizete sempre foi tranquilo e que a ajudou muito, principalmente, quando há quatro anos ela se mudou para Franca atrás de emprego. Juliana disse que o relacionamento começou a esfriar depois que Donizete passou a trabalhar na Usina Cevasa. “A gente se via uma vez a cada 15 dias. As coisas foram esfriando e, em dezembro, resolvi terminar”. Ela disse que o caminhoneiro não aceitou o fim do relacionamento e passou a pedir para que reatassem e a ser agressivo.
Em março ele a convidou para ir a uma lanchonete conversar e lá a agrediu com um tapa na cara e a obrigou a entrar em seu carro. “Ele me levou a um pontilhão. Estava com duas armas e uma faca. Disse que se eu não voltasse com ele, ele me mataria. Eu consegui acalmá-lo e ele acabou desistindo da agressão”.
Depois deste episódio, Juliana disse a Donizete que procuraria a Delegacia da Mulher, o que o deixou mais irritado. “Ele mandava mensagens dizendo que ia me matar. Depois falava que me amava e que nunca me machucaria. Era isso o tempo todo”. Ela disse que, por conta do comportamento de Donizete, tinha pedido demissão do emprego e pensava em voltar para Passos.
Ela disse que o encontro com o ex deveria ter acontecido na Páscoa, 10 dias antes do ocorrido. “Ele disse que tinha comprado um ovo de Páscoa para mim como despedida e que estava se mudando para Mato Grosso ou Tocantis”. Mas o encontro não teria dado certo por conta de problemas no trabalho de Donizete. No dia dos fatos, por volta das 19 horas, ele ligou e ela foi encontrá-lo. “Eu não queria sair do estacionamento com ele e foi aí que a discussão começou. Ele sacou a arma e disse que se não fosse me mataria ali mesmo. Como eu iria morrer do mesmo jeito, decidi correr. Foi quando ele começou a atirar”.
Juliana conta que ainda tem medo do ex. “Eu não tenho dormido. Ainda tenho medo de que ele venha atrás de mim terminar o que começou. Não tenho paz”. Ela disse que até sua amiga com quem dividia o apartamento onde mora já se mudou com medo de Donizete. Juliana negou que tenha qualquer outro relacionamento e disse também que nunca procurou Donizete para reatar a relação. “Quem vinha atrás de mim era ele”.
O delegado Márcio Murari disse o advogado de Donizete esteve na delegacia. “Ele veio para tomar ciência do depoimento da vítima e se comprometeu a apresentar o autor ainda nesta semana”. Donizete é considerado foragido. Sua prisão temporária já foi decretada pela Justiça. Segundo Márcio, assim que se apresentar, ele deve ser preso.
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