‘Fazer o torcedor voltar a acreditar foi a nossa vitória’


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Eram perto das 11 horas da última quinta-feira quando o técnico do Franca Basquete, Helinho Garcia, chegou sozinho ao Ginásio Poliesportivo. O local foi escolhido por ele. “É onde me sinto mais à vontade”. 
 
Dentro do Ginásio, um grupo de adolescente treinava basquete sem imaginar que o ídolo chegaria. Quando viram o ex-jogador e agora treinador entrar, as bolas pararam de bater. Simpático, Helinho fez questão de cumprimentar os garotos, que vidrados no ídolo, nada disseram, apenas respondiam ao cumprimento com a cabeça. “Eu me lembro de quando era eu aqui”, contou Helinho. 
 
Foi nas arquibancadas do Pedrocão que Helinho, ainda meio abatido com a derrota do último sábado que tirou o time de Franca da disputa do NBB, falou sobre seu primeiro ano como técnico, sobre a derrota e novos planos. Helinho fez questão de agradecer ao apoio dos torcedores francanos. “Eles abraçaram o time. Mesmo com a derrota, no final do jogo, nos aplaudiram. Foi lindo de ver”, disse emocionado. 
 
Quando você assumiu o Franca Basquete, o time estava desacreditado. Hoje ainda é um dos times de menor orçamento e com uma equipe muito jovem. Mas conseguiu um resultado importante, chegando às quartas do NBB. Que avaliação faz desta temporada?
De dois anos pra cá, o Franca Basquete vem passando por uma grande reformulação, desde mudanças em seu estatuto até a alteração do modelo de gestão. Quando deixei a área administrativa, onde trabalhei por um ano, para assumir o comando técnico, nosso compromisso era formar uma comissão técnica francana e trazer jogadores com o perfil de Franca. Sabíamos das dificuldades que teríamos e por isso queríamos profissionais comprometidos com a cidade, com a nossa missão que é fazer com que o torcedor queira vir ao estádio, que ele tenha orgulho de assistir o Franca jogar, que saia, mesmo quando há a derrota, com o sentimento de que demos o melhor em quadra. Ao longo dessa temporada, os jogadores foram entendendo cada vez mais essa missão e a torcida, de fato, nos abraçou porque viu o nosso comprometimento. Acho que esta foi uma temporada vitoriosa, apesar da derrota e de a gente não ter chegado à semifinal, que seria nosso sonho. Acho que crescemos muito profissional e pessoalmente. Acima de tudo, conseguimos fazer com que o torcedor voltasse a acreditar. Talvez essa tenha sido nossa maior vitória.
 
Em suas palestras, você sempre fala muito sobre o “querer mais”, sobre a importância de estar comprometido com o trabalho. Neste um ano à frente do Franca, como foi transmitir esse conceito aos jogadores? 
Foi um trabalho multidisciplinar. Não fiz sozinho. Foi toda uma equipe. Foram muitas conversas, ensinando conceitos de disciplina, de postura de vida, de respeito e comprometimento. Acho que conseguimos um bom resultado. Prova disso é ver jogadores com menos de 22 anos que iniciaram a temporada desacreditados e terminaram podendo até ser convocados para uma seleção brasileira B. O querer mais que sempre falo é você fazer um pouco além, é você se comprometer mais com seu trabalho, seus sonhos, estar focado no que você realmente quer. E não posso me queixar. Todos os meus jogadores quiseram e se empenharam muito. Me sinto abençoado por tê-los comigo. 
 
Mas apesar de todo o empenho, o Franca se despediu do NBB, em casa, com o Pedrocão lotado. Na sua opinião, como técnico, o que aconteceu? 
Primeiro acho que o Paulistano teve seus méritos. E também analisamos que, em alguns momentos importantes, tivemos algumas falhas que acabaram acarretando a nossa derrota. Mas não acho que isso tenha apagado toda a trajetória vitoriosa desta equipe. 
 
Mas, Helinho, o time vinha de uma vitória esmagadora, em São Paulo e ganhou de virada, com placar de  105 a 87, o que mostrou que podia superar o Paulistano... 
É importante ficar claro que, quando se trata de um playoff, a gente não pode ficar muito feliz com uma vitória nem muito triste com uma derrota porque dois, três dias depois tem um novo jogo. Confesso que preferia ter ganho de uma diferença de apenas três pontos em São Paulo do que de 20 como ganhamos. Porque um placar desse gera a sensação de que venceríamos fácil aqui. Mas foi difícil. A gente sabia que a vitória era importante para passar para as semifinais e, quando não conseguimos, o grupo todo se entristeceu. Todos queríamos estar na semifinal. Mas perder faz parte do esporte. Agora a gente tem que corrigir nossos erros. 
 
Qual lição ficou da derrota?
Que é preciso estar sempre em estado de alerta. Não podemos perder o foco. Temos que fazer o máximo sempre. Não podemos relaxar. Acho que a gente lutou muito em quadra, teve comprometimento. Prova disso é que mesmo com a derrota a torcida no final nos aplaudiu, mas infelizmente não deu para passar para as semifinais. 
 
Agora em agosto começa o Campeonato Paulista. Quais serão os desafios a serem superados? Haverá contratações ou demissões? 
Estão começando agora. A gente passa por um período de fechar contrato com os jogadores que ficam e de ver como vamos nos reforçar. Já começamos as conversas para novas contratações. Esperamos fazer um time melhor para este ano.
 
Haverá mudanças na equipe?
Sempre tem. A gente quer melhorar. Ainda não definimos nomes ou posições que sofrerão alterações porque estamos agora em fase de estudo. Revendo nossos jogos nos pontos fortes e nos fracos, analisando nossas estatísticas para ver quais fundamentos precisamos avançar, identificando nossas deficiências. De modo geral, a gente quer melhorar o nível técnico da equipe e vamos atrás de reforços. Nosso grande objetivo é melhorar nossa competitividade. 
 
Mas o orçamento do Franca ainda é apertado. Como conseguir contratar? Dá para trazer bons reforços? 
Acho que sim. E não falo só de contratações novas, não. O time como um todo está crescendo. Estamos ganhando credibilidade. Hoje eu sei que existem muitos jogadores bons que querem jogar aqui. Nosso desafio será melhorar o nível técnico, mas manter o mesmo comprometimento.
 
O time também renovou o contrato de patrocínio com o Magazine Luiza, mas ainda assim tem um orçamento apertado. Hoje como estão as finanças do Franca Basquete? Há discussões sobre novos patrocinadores? 
O contrato com o Magazine Luiza e a parceria que hoje temos com o Sesi para o treinamento da equipe são fundamentais para manter toda a estrutura do Franca Basquete. Ainda estamos com outras frentes em que lutamos por mais patrocínios como as placas de propaganda aqui do estádio, as próprias tabelas e também queremos aumentar o número de sócios torcedores. Estamos tentando crescer dentro e fora da quadra. O aumento do retorno do começo da temporada para cá foi maravilhoso. Além do público aqui presente, vivendo o dia-a-dia do Franca Basquete, as empresas da cidade também perceberam o quanto somos capazes de atrair as pessoas e voltamos a ter credibilidade. Isso, para nós, é muito legal. Sempre vou ser muito grato à torcida. 
 
Quando assumiu o comando técnico do time, você sofreu críticas. Alguns disseram que você não estava preparado. Um ano depois, como você analisa seu desempenho como técnico?
É verdade. Me lembro de ter ouvido que iríamos trazer três jogadores de seleção, dois estrangeiros, porque senão eu não teria aceitado. Mas não foi nada disso. Eu sabia que estávamos num período de reformulação, que iríamos montar um time enxuto, mas sempre acreditei que poderíamos fazer um bom trabalho. Sempre soube de todas as dificuldades e quis fazer um trabalho muito aberto e sincero com os jogadores. E graças a Deus e a muito trabalho, conseguimos ter sucesso. Acho que foi um primeiro ano que nunca imaginei que pudesse ser tão bom, tão vitorioso. E nunca imaginei que fosse tão bom ser técnico. Estou amando minha nova profissão. 
 
Todo jogador sonha em jogar na seleção. Como técnico, também tem esse sonho?
Sem dúvida. A seleção é sempre um sonho para qualquer cidadão patriota. Tenho esse sonho e é uma coisa que vou buscar incessantemente  Ainda vou chegar lá e será um grande orgulho.

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