No final, só nós pagamos a conta


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POLÍTICOS SE ESQUECEM QUE O DEVER DE POUPAR É DE TODOS OS BRASILEIROS
Qualquer empresa da iniciativa privada em situação de crise busca reduzir suas despesas para equilibrar o balancete. Quando gasta mais do que arrecada, acumula dívidas, se enrola com empréstimos e, em caso extremo, busca a recuperação judicial para não quebrar. Reduz o número de funcionários, tenta baratear seus custos e, em muitas ocasiões, se “reinventa” para se manter de portas abertas. O mesmo não ocorre no setor público, da administração central aos legislativos: abastecidos pelo dinheiro do contribuinte, não há limites para o que se gasta. Numa época em que a Internet 4G é o principal instrumento para comunicação em todo o mundo, quem pesquisar o que senadores e deputados gastam acha que ainda estamos em meados do século XX. Bom exemplo do descompasso está na mais recente licitação aberta pelo Senado: seu presidente, Eunício Oliveira (PMDB) está disposto a gastar até R$ 2,8 milhões em 565 toneladas dos mais variados tipos de papeis.
 
O edital do pregão eletrônico, por menor preço, justifica a compra “para impressão de publicações oficiais, bem como das publicações da Coordenação de Edições Técnicas, do Conselho Editorial, de divulgação das atividades parlamentares, dos entes conveniados e dos materiais de expediente dos gabinetes da estrutura administrativa” da Casa. É mais uma demonstração sobre o que move a classe política brasileira, ainda se considerando inimputável diante das pesadas acusações levantadas pela Lava Jato contra parlamentares com mandato. Os 594 congressistas (deputados e senadores) que custam anualmente R$ 1,8 bilhões aos cofres públicos contam com uma série de benefícios que, se cortados, proporcionariam uma considerável economia ao erário. Hoje, cobra-se dos trabalhadores brasileiros uma cota de sacrifício à qual os políticos não estão disposos a se submeter. 
 
Todo brasileiro precisa custear sua moradia. Os parlamentares não: contam com auxílio-moradia de mais de R$ 11 milhões anuais. Ainda contam com o “cotão”, para o pagamento de despesas e passagens aéreas (R$ 255 milhões), têm a verba de gabinete (R$ 606 milhões) para pagar assessores e usufruem do custeio de despesas médicas, entre outros (incluindo aí gastos com gráfica, telefones e até cartas (!!!). Por isso, praticamente todos aferram-se ao cargo e muitos buscam “bombar” os vencimentos de forma ilícita. O Brasil não vai conseguir crescer enquanto mantiver esta classe política que transformou os gabinetes palacianos e legislativos em um clube privativo. E o povo, cada vez mais sacrificado, continua permitindo que estes elementos nocivos ao progresso do País continuem em evidência. É hora de mudar esse panorama e cabe a nós, nas eleições, promovendo a renovação que clamamos.

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