Pressão sim; vandalimso não


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SAPATEIROS CONSEGUEM REAJUSTE COM UMA MANIFESTAÇÃO PACÍFICA EM FRANCA
O respeito à democracia exige que, ao exercer seus direitos, as pessoas não desrespeitem ou impeçam os direitos dos demais. É o que deveria mover movimentos sociais e sindicais quando defendem os seus interesses. As manifestações que terminam em vandalismo não são nada saudáveis e podem levar a própria opinião pública a rechaçar este tipo de protesto, como ocorreu nos quebra-quebras nos atos organizados por ambos os lados que polarizam o debate público desde 2013. Nestas ações, tanto os ‘mascarados’ quanto os agentes de segurança agiram com excesso, causando prejuízos ao patrimônio público e particular e vítimas graves. Aqui perto de nós, na greve geral realizada no final de abril, sindicalistas tentaram impedir que francanos contrários ao movimento seguissem para o trabalho, fechando ruas importantes e tumultuando o trânsito.
 
Na manhã de terça-feira, numa demonstração de que a manifestação pacífica, de pressão genuína e sem violência ou vandalismo surte efeitos, funcionários da unidade 2 da Calvest, no Paulistano I, decidiram realizar uma greve até a empresa conceder um reajuste salarial de 7%. Horas depois, o acordo foi fechado. Foi uma paralisação pontual (que vem sendo promovida pelo Sindicato dos Sapateiros depois que não conseguiu fechar um acordo coletivo para toda categoria), pacífica e que surtiu os efeitos desejados. É este o tipo de ato que não afronta a democracia e muito menos o direito dos trabalhadores e dos empregadores. A defesa da democracia passa pelo respeito às instituições, sejam elas públicas ou privadas. E foi isso o que verificou agora. A violência, que não tem sentido algum, para a qual não há justificativas plausíveis, só torna uma manifestação reivindicatória ilegítima.
 
Em Franca, nos últimos tempos, a relação empregador-empregado tem mudado. Contando um sindicato que representa a maior classe trabalhadora no município, mesmo depois que as entidades de classe (sapateiros e industriais) não chegaram a um acordo, várias empresas já concederam o reajuste de 7%, que corresponde à reposição das perdas medidas pelo INPC mais aumento salarial. Em nota, o Sindicato das Indústrias informou que assembleia geral decidiu que o valor do reajuste a ser concedido aos trabalhadores é de 4,69% e que não recebeu nenhuma documentação sobre acordos individuais. Este tipo de negociação, fábrica a fábrica, está sendo salutar não apenas para o setor calçadista como um todo, mas princialmente aos próprios trabalhadores, que usam da pressão legítima para atingirem os seus objetivos e melhorar os próprios salários. Trata-se de uma ação é salutar não apenas para o País, mas também para todos nós. Que este exemplo floresça e seja seguido para o bem do Brasil.

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