A Cear (Comissão Especial de Assuntos Relevantes), que investiga os contratos do transporte coletivo em Franca, entre a Empresa São José e a Prefeitura, realizou na noite de quarta-feira sua segunda audiência para ouvir as queixas da população sobre o sistema de transporte público da cidade. Cerca de 40 pessoas compareceram. De novo, a retirada dos cobradores, a falta de ônibus, o alto preço da tarifa e falta de modernização do sistema foram discutidas.
Uma apresentação com o resumo das ações da Comissão feita pelo presidente da Cear, o vereador Corrêa Neves Júnior (PSD), abriu a audiência. Ele chamou a atenção para a falta de fiscalização da Empresa São José, constatada pela Comissão. “Em São José do Rio Preto, por exemplo, onde estivemos, foram aplicadas nos últimos anos 20 mil multas nas empresas do transporte coletivo de lá. Aqui, nenhuma. Nenhuma multa”, disse.
Em seguida, foi aberta a palavra para que os usuários pudessem se manifestar. Lilian Garcia, moradora do Parque do Horto, narrou sua jornada diária pelos ônibus quase sempre lotados e destacou a falta de veículos. “É um absurdo. O ônibus demora a passar e, quando passa, está tão lotado que o motorista nem para nos pontos. Isso não tem cabimento, é muita falta de respeito com o trabalhador, com a população.”
A possibilidade de aumento da tarifa, no mês que vem, também foi lembrada. A Comissão acredita que o preço deva subir para R$ 4,20. Possibilidade que causou indignação nos presentes. “Essa São José já deu. Não tem mais condição. Como podem cobrar um preço tão alto e não oferecer nenhum conforto”, disse Celestina de Souza.
Além das queixas também foram apresentadas sugestões para melhorar a qualidade. Iris Carrijo, deficiente visual, pede que a empresa instale e disponibilize um aplicativo para auxiliar os que não enxergam.
Grupos de acompanhamento do serviço público também participaram da audiência, como Udecif e Franca Transparente. Flávio Alves, do Franca Transparente, pediu também um aplicativo de acompanhamento dos ônibus.
O relator da comissão, vereador Diretor Marcos (PSDB), analisou como positiva a audiência. “O que queremos é uma fiscalização que não existe hoje. Queremos um estudo organizado, para que se construa um contrato positivo para nossa cidade”, disse. O vereador Ilton Ferreira (DEM), terceiro membro, disse que ficou satisfeito com a participação da população.
Já o presidente da Comissão disse que espera que as queixas apresentadas sensibilizem o prefeito Gilson de Souza (DEM), para que ele tome medidas mais duras que garantam o cumprimento do contrato de transporte e a qualidade do serviço.
No começo deste mês, a Cear foi prorrogada por mais 90 dias, mas os membros acreditam que devem entregar o relatório final, com as sugestões de melhoria do serviço e para baratear a tarifa, em até 40 dias.
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