Na manhã de ontem, funcionários da unidade 2 da Calvest, no Paulistano I, decidiu fazer greve até a empresa conceder um reajuste salarial de 7%. Horas depois, o acordo foi fechado.
Paralisações pontuais de empresas foram adotadas pelo Sindicato dos Sapateiros., uma vez que não conseguiu fechar um acordo coletivo para toda a categoria. Sebastião Ronaldo, presidente da entidade, disse que as conversas com a direção da Calvest vinham se arrastando há dias. “Entramos em contato com a diretoria e aguardamos. Na terça, recebemos a resposta negativa. Por isto, os trabalhadores decidiram parar. Enquanto a empresa não assinar o acordo, eles não vão voltar a trabalhar”, disse ele, no período da manhã.
Cerca de 250 sapateiros trabalham na unidade. Dezenas deles cruzaram os braços. “Muitas fábricas já concederam o reajuste e a nossa direção não quer dar. Estamos dispostos a ficar parados até resolverem. Se não derem os 7%, não vamos produzir”, disse um manifestante.
No começo da tarde, os dirigentes do Sindicato informaram aos trabalhadores que a empresa pagaria o aumento reivindicado. “O acordo já foi assinado e é válido para a filial e para a matriz. Como o desfecho foi positivo, os trabalhadores decidiram voltar a trabalhar”, disse Sebastião Ronaldo.
Ele disse que várias empresas já fecharam acordos semelhantes de reajuste salarial de 7%, que correspondem a reposição das perdas medidas pelo INPC mais aumento salarial. “É a proposta padronizada que estamos fechando fábrica por fábrica. Se o sindicato patronal aceitar fechar o acordo coletivo nestes termos, é só nos procurar que aceitamos”.
Em nota, o Sindicato das Indústrias informou que assembleia geral decidiu que o valor do reajuste a ser concedido aos trabalhadores é de 4,69% e que não recebeu nenhuma documentação sobre acordos individuais.
Disse ainda que, ao contrário do que afirma o Sindicato dos Sapateiros, não encerrou as negociações. “Alertamos novamente as empresas para que aguardem o desfecho das negociações e não fechem acordos individuais, pois isso quebra a união das empresas e prejudica o processo negocial. O Sindifranca solicitou reunião de mediação ao Ministério do Trabalho, para darmos continuidade às negociações”.
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