Cerca de 40 pessoas participaram na noite desta quarta-feira, 10, da audiência pública organizada pela Cear (Comissão Especial de Assuntos Relevantes), que investiga os contratos do transporte coletivo em Franca, entre a Empresa São José e a Prefeitura. Indignação e cobranças efetivas sobre o serviço prestado pela empresa foram o foco da discussão.
A apresentação começou com o presidente da Cear, o vereador Corrêa Neves Júnior (PSD) mostrando os passos da comissão, que tem como participantes os vereadores Professor Marcos (PSDB) e Ilton Ferreira (DEM).
Para Júnior, um dos problemas graves investigados até agora é a falta de fiscalização da Prefeitura sobre a São José. “Em São José do Rio Preto, por exemplo, onde estivemos, foram aplicadas nos últimos anos 20 mil multas nas empresas do transporte coletivo de lá. Aqui, nenhuma. Nenhuma multa”, disse. Ele defende uma atuação forte da fiscalização para que a empresa apresente mais qualidade no serviço.
Vários francanos usaram o microfone para apresentarem sugestões e reclamações sobre o transporte. Eles destacaram a tarifa elevada de R$ 3,80, a baixa qualidade dos ônibus e a falta de veículos em linhas importantes.
Lilian Garcia, moradora do Parque do Horto, narrou sua jornada diária pelos ônibus, lotados quase sempre e falta de veículos para servir. "Hoje está vazio aqui, porque as pessoas não conseguiram pegar ônibus", disse ela, revoltada. Lilian, antes de encerrar, pediu licença da Câmara e foi embora. "Se eu não for agora, não sei quando chego em casa", disse.
Para Corrêa, a situação do transporte hoje é inaceitável. "O prefeito deve entender que a situação é ruim", disse.
A possibilidade de aumento da tarifa, no mês que vem, também foi lembrada. A Comissão acredita que o preço possa subir para R$ 4,20. Possibilidade que causou indignação nos presentes.
Um dos populares cobrou uma posição firme contra o valor. Júnior afirmou que os integrantes da Comissão irão brigar para apresentar sugestões para que a tarifa não suba.
Além das queixas também foram apresentadas sugestões para melhorar a qualidade. Iris Carrijo, deficiente visual, pede que a empresa instale e disponibilize um aplicativo para auxiliar os que não enxergam.
Grupos de acompanhamento do serviço público participaram da audiência, como Udecif e Franca Transparente. Flávio Alves, do Franca Transparente, pediu também um aplicativo de acompanhamento dos ônibus.
O ex-vereador Marcial Inácio (PT) também usou o microfone para apresentar sugestões. Para ele, seria necessário um estudo mais detalhado e apresentação de um projeto sobre mobilidade urbana. “Gilson não fez nada. Em 100 dias, nada. É decepcionante”, disse.
O advogado Lúcio sugeriu que o terminal de ônibus “Ayrton Senna” tenha catracas, o que desafogaria a entrada nos ônibus. O advogado também cobrou que a Prefeitura e a Emdef fiscalizem a empresa.
Ainda na audiência, foi sugerido por Juvercina Oliveira, que a empresa São José instalasse uma linha na região urbana do Paiolzinho e Parque dos Ipês.
Marília Martins sugeriu aos integrantes da Comissão que eles possam colocar no relatório final da Cear a possibilidade de uma "parada segura" para mulheres. "Para os ônibus pararem mais perto, na própria rota deles, para que mulheres estejam em situação mais segura", disse ela.
O relator da Comissão analisou como positiva a audiência. “O que queremos é uma fiscalização que não existe hoje. Queremos um estudo organizado, para que se construa um contrato positivo para nossa cidade”, disse o vereador Professor Marcos.
Ilton Ferreira, terceiro membro, disse que está satisfeito com a Comissão.
No começo deste mês, a Cear foi prorrogada por mais 90 dias.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.