Lula sofre reveses na véspera de depoimento a Sergio Moro


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O ex-presidente Lula é esperado nesta quarta-feira em Curitiba
O ex-presidente Lula é esperado nesta quarta-feira em Curitiba
Na véspera do depoimento que presta ao juiz Sergio Moro em ação em que é réu na Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de três reveses.
 
Dois deles vieram do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. No primeiro, o juiz Nivaldo Brunoni manteve o depoimento nesta quarta (10) -a defesa havia pedido a suspensão sob o argumento de que não teve tempo suficiente para analisar documentos da Petrobras relativos ao caso.
 
O mesmo juiz, horas depois, confirmou decisão tomada na véspera por Moro e negou pedido da defesa do ex-presidente para gravar o depoimento em Curitiba. Brunoni disse que "não apresenta pertinência lógica" a solicitação. A defesa de Lula alegou que "seria relevante capturar "a completude do ato judicial para observar as expressões faciais e corporais não somente do acusado".
 
À noite, em outra ação em que Lula é alvo na Justiça, juiz da 10ª Vara Federal de Brasília ordenou a suspensão das atividades do Instituto Lula, em São Paulo, sob o argumento de que, no local, foram discutidos vários assuntos que poderiam violar a lei penal, o que é contestado pela defesa do petista.
 
APREENSÃO
Desde que Moro agendou o depoimento marcado para as 14h desta quarta, em ação que trata da suspeita de que a OAS ofereceu vantagens indevidas ao ex-presidente -a ajuda para manter seu acervo e um imóvel no litoral paulista- em troca de contratos com a Petrobras, a capital paranaense vive clima de apreensão.
 
Nesta terça, militantes contrários e favoráveis ao ex-presidente se manifestaram em Curitiba. Liderado pelo MST, o grupo pró-Lula levantou um acampamento ao lado da rodoviária curitibana.
 
À noite, um juiz do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, determinou liminarmente a reintegração de posse de parte do terreno onde o MST montou acampamento. O MST ainda pode recorrer.
 
Do lado anti-Lula, um grupo que acampava em frente ao prédio da Justiça Federal -área em que foram proibidos transeuntes nesta terça- mudou-se para o lado do museu Oscar Niemeyer. Durante a tarde, dez pessoas estavam no local.
 
Lula foi orientado por sua defesa a enfatizar dois pontos ao magistrado: o fato de o antecessor Fernando Henrique Cardoso também ter tido ajuda para constituir um acervo depois de deixar o Planalto, e o fato de a OAS ter usado o tríplex em Guarujá como garantia em processo de recuperação judicial. Isso mostraria, segundo Lula, que ele nunca foi dono do imóvel.
 
Como a ação se restringe a esses dois tópicos, o petista foi orientado a não se manifestar sobre demais temas.
 
Lula manifestou a aliados o desejo de fazer um discurso político durante a oitiva, deixando para os advogados o embate jurídico direto com o magistrado.
 
"Moro levou [o depoimento] para a seara política e, desculpa, política quem faz melhor é ele [Lula]", disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), favorita para assumir a presidência do PT no segundo semestre.
 
Os colaboradores do ex-presidente apostam, porém, que, a exemplo da posição adotada na audiência de Antonio Palocci, Moro impeça qualquer declaração política e não permita que o depoimento se transforme em um palanque.
 
Petistas duvidam que venha a se repetir, por exemplo, o depoimento prestado por Lula em Brasília, quando falou sem interrupções.
 
Nos últimos dias, Moro disse que o procedimento está "dentro da normalidade do ato processual" e que "nada ocorrerá" -em referência à expectativa entre detratores de Lula de que o ex-presidente pudesse ser preso. 

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