Muitas vezes, alguns romances que aparentemente podemos encontrar apenas em roteiros de filmes hollywoodianos podem estar mais próximos de nós do que imaginamos. É o caso da história dos aposentados Marilda dos Santos Terin, de 65 anos, e Mauro Terin, 67, que realizaram, nesse sábado, o sonho de subir ao altar.
Para Marilda, esse é o momento mais importante de sua vida, já que, desde pequena, vislumbrava entrar em uma igreja, repleta de flores, vestida de noiva. Em algum momento, isso se perdeu em seu caminho, mas não quer dizer que tenha sido esquecido. “Eu sempre tive vontade de me vestir de noiva e entrar na igreja. Era um sonho, mas nós namoramos e casamos apenas no civil. Naquela época, nós não tínhamos condições, então, alugamos uma casinha e ali fomos morar”, disse.
O pedreiro aposentado Mauro lembrou com gratidão que, quando se casaram, há 39 anos, a única coisa que ele tinha era uma moto e poucas possibilidades de realizar o sonho de Marilda. “Na época, eu trabalhava para o dono de uma loja de móveis e ele fez uma proposta para mim. Eu entreguei a moto e, no valor dela, peguei os móveis para nossa casa. Ele até deu de presente para nós o fogão, mas foi isso que consegui para começarmos nossa vida juntos.”
História
O casal se conheceu por intermédio de suas irmãs. Através de uma amizade cultivada por anos, nasceu um amor que dura até hoje. Da união, vieram três filhos e sete netos. Ao se recordar do início de suas histórias, o aposentado se emocionou. Com 28 anos, após seis meses de namoro, decidiu fazer o pedido de casamento para a mãe de Marilda.
O primeiro casamento foi realizado no civil e com um almoço na casa recém-alugada do novo casal. “Eu arrumei um vestido emprestado para o casamento no civil e, depois, fui fazer o almoço com a ajuda da minha mãe e da minha irmã”, contou a aposentada.
Com o nascimento dos dois filhos mais novos, Marilda teve depressão, parou de trabalhar e passou a se dedicar apenas à casa, enquanto Mauro trabalhava como pedreiro para manter a família. Para construírem a própria casa, eles trabalhavam juntos aos finais de semana e Marilda carregava tijolos e cimento ao lado do marido.
Com amor em cada palavra dita e cada gesto, o casal mantém sua residência no Jardim Aeroporto I. Assim que souberam do sonho de Marilda, os vizinhos decidiram se unir para, enfim, “recasar” os apaixonados.
O casamento
Trinta e nove anos depois daquele casamento no civil, nesse sábado, Marilda entrou na Paróquia Sant’Ana, no Aeroporto I, vestida de noiva, acompanhada de seus dois filhos mais velhos.
Para fazer o sonho possível, o CCI (Centro de Convivência dos Idosos) e amigos do casal se uniram. Além da doação do vestido e sapato da noiva, os amigos conseguiram salgados e patês para a recepção do casal no Centro Comunitário do Jardim Aeroporto I. “Agora, eu mesma escolhi o modelo do meu vestido. Terei florista, daminha para levar aliança e até pétalas jogadas, além dos meus dois netos carregando uma Bíblia. Tudo que tenho direito”, comentou, emocionada. Porém, lamentou a falta de flores para enfeitar a paróquia. “Estou muito feliz com tudo, mas isso ainda aperta meu coração. Até consegui alugar um tapete vermelho, mas não consegui as flores.”
Marilda ainda se emociona ao dizer que todos devem sempre acreditar nos seus sonhos e se dedicarem ao amor. “Nunca é tarde para realizar um sonho. Eu ficava triste por não ter a bênção do padre e um casamento religioso. Tinha a sensação de que faltava algo e, desde sábado, não sentirei mais isso”, disse.
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