Sempre que se fala sobre o alto preço da tarifa de ônibus na cidade, uma das justificativas mais usadas tanto pelo Poder Público Municipal quanto pela empresa São José para explicar o valor é o alto percentual de gratuidades que pesariam nos custos do sistema de transporte coletivo. O total, segundo dados apresentados pela concessionária, chegaria a 43% do total de passageiros. Mas o depoimento do consultor técnico da São José, Claudinei Castanha, à Cear (Comissão Especial de Assuntos Relevantes), criada pela Câmara para fiscalizar os contratos de transporte, mostrou uma realidade bem diferente.
Segundo Castanha, apenas 24,5% do total de passageiros transportados pela empresa na cidade contariam com algum tipo de gratuidade. Neste percentual, estariam abrangidos os idosos, deficientes físicos e policiais militares, que contam com isenção de 100% da tarifa. Mas também categorias que têm apenas algum percentual de desconto, como é o caso dos estudantes com 50% e trabalhadores sindicalizados com 30%. “Esses números chamam muito a atenção e mostram que a realidade que vem sendo pregada há tempos e que não é verdadeira. O peso real das gratuidades é muito menor do que a empresa afirma”, disse o presidente da Comissão, o vereador Corrêa Neves Jr (PSD).
Isso acontece porque na conta das gratuidades a São José também inclui as viagens feitas por aqueles usuários que fazem integração. Para a empresa, entra como gratuidade a segunda viagem. “Só que ela não calcula que esse mesmo passageiro já pagou pelo primeiro trecho. Então ele não é um passageiro gratuito”, disse o relator da Comissão, Diretor Marcos (PSDB)
Pelos dados apresentados na última sexta-feira, no ano passado, 18,6 milhões de passageiros utilizaram o sistema público de transporte em Franca. Destes, 11,38 milhões foram passageiros chamados econômicos (que pagam o valor inteiro da tarifa, ou seja, os R$ 3,80 atuais). Destes pouco mais de 11 milhões de passageiros, 2,66 milhões fizeram a chamada integração (e foram contabilizados como gratuidades). Outros 4,55 milhões de passageiros circularam nos ônibus pagando a tarifa com descontos que vão de 20% a 100% e são, na verdade, aqueles que contam com algum tipo de gratuidade concedida por lei.
O faturamento total da empresa não foi divulgado.
A Comissão deve usar os números citados para o relatório final que está previsto para ser entregue até o início de junho.
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