Um levantamento feito pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público mostrou que 49 funcionários comissionados, nomeados pelo prefeito Gilson de Souza (DEM) no início de seu mandato em janeiro e fevereiro, têm dívidas não pagas com a Prefeitura de Franca. São débitos relativos a impostos e taxas não pagas. O mais comum é o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) que deixou de ser pago. O total de dívidas em aberto não foi divulgado em virtude do sigilo fiscal. Mas, em 17 casos já negociados, o valor ultrapassa os R$ 143 mil.
Entre os devedores estão secretários municipais, diretores de serviços, gerentes, chefes e funcionários nomeados para a Feac (Fundação de Esporte, Arte e Cultura). “Pelo princípio da moralidade, que faz parte da base do direito público, não é aceitável que uma pessoa tenha dívidas em aberto com o seu ente pagador, no caso a Prefeitura. Ela estaria recebendo de um ente do qual é devedora”, explicou o promotor.
Por conta disso, no final de março, foram abertos 49 procedimentos preparatórios de inquérito civil. “Os comissionados foram citados e compareceram ao Ministério Público. Alguns comprovaram que já haviam quitado o débito e não tinham mais dívidas em atraso. Outros, a maioria, ao ser notificada pelo MP, ou quitou o débito ou fez o parcelamento”.
Com o pagamento ou a assinatura do acordo de parcelamento, os procedimentos foram arquivados. “Foi um resultado importante. Conseguimos fazer com que essas pessoas honrassem dívidas que estavam pendentes com o município”, disse o promotor Paulo Borges.
Os nomes e os valores devidos por cada um não foram divulgados. “Por conta do direito ao sigilo fiscal, não posso divulgar qualquer informação mais detalhada a respeito”, disse.
Dívida ativa
De acordo com dados de outubro do ano passado, a dívida ativa da Prefeitura de Franca com impostos, taxas e multas não pagos pelos contribuintes chega a cerca de R$ 180 milhões, quase 25% do total do orçamento do município.
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