A libertação de José Dirceu é o assunto do dia. Os surrados petistas festejam a decisão do Supremo Tribunal Federal em lhe conceder o habeas-corpus, enquanto seus adversários criticam os ministros que votaram, e até a corte, pela soltura. Porém, tudo não passa de mais um lance da crise brasileira que explodiu nas mãos do Partido dos Trabalhadores, mas vem de muito antes da sua existência. A propina, de que Dirceu já foi condenado como operador, é prática antiga da política brasileira, conforme delataram empreiteiros que desde tempos antigos realizam grandes obras, notadamente as de infraestrutura custeadas pelo governo. Por certo, outros envolvidos, especialmente o ex-ministro Antonio Palocci, também vão tentar obter o mesmo remédio de Dirceu para sair da prisão. Mas não há nada de mal nisso, pois é um direito.
As apurações do Mensalão e da Operação Lava Jato tiveram o condão de revelar e provar ao país a corrupção que se entranha nos escaninhos do poder político e administrativo. Na medida do possível, os envolvidos são presos preventivamente, condenados e devolvem dinheiro. É certo que não conseguiremos ressarcir os cofres públicos de tudo o que deles foi pilhado, mesmo porque muitos esquemas não chegarão a ser identificados e outros, mesmo que revelados, terão caído em prescrição. O ideal, porém divícil, é um dia, termos varrido a corrupção da vida nacional.
Impropriamente, criou-se a imagem de paladinos aos responsáveis pelas apurações anticorrupção. Na verdade, são apenas servidores públicos que cumprem seus deveres e por isso não precisam e nem devem ser incensados. Quanto a interromper prisões preventivas ou contrariar atos de primeira instância, não é nenhum demérito ao trabalho realizado. É apenas prerrogativa das instâncias superiores, observadas as leis.
Já em relação a Dieceu, quanto à participação política e possibilidade de volta de seu partido ou grupo ao poder, é uma questão eleitoral que, numa democracia, só cabe ao eleitor decidir. Política e crime só têm conexão quando a atividade criminosa comprovada torna o agente inelegível e, portanto, inabilitado para a militância em partidos ou funções eletivas...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente e dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo
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