CONSULTOR ADMITE EM COMISSÃO: EMPRESA SABIA QUE NÃO PODERIA CUMPRIR CONTRATO
Como é que pode uma situação dessas? A Empresa São José participou da licitação para operar o transporte urbano coletivo em Franca já sabendo que não teria condições de cumprir o contrato. As informações do consultor Claudinei Castanha, que representou o empresário João Belarmino Marta, dono, e Delismar Rodrigues. gerente de serviços, deixou claro que a empresa entrou no certame ciente da impossibilidade de cumprir as exigências. Com isso, deixou claro de como as coisas aqui no Brasil — em vez de enfrentar, segue-se “empurrando com a barriga” —, implicitamente o consultor da São José disse que preferiu-se “deixar como está para ver como é que fica”, E deu no que todos já sabemos: o número de coletivos continuou o mesmo, não foram colocados veículos biarticulados e as multas foram perdoadas pelo ex-prefeito. E o que é pior: a administração municipal permitiu que a empresa demitisse cobradores, prejudicando ainda mais a qualidade do já imperfeito serviço prestado em nosso município.
As informações, dadas durante depoimento à Cear (Comissão Especial de Assuntos Relevantes) — criada para fiscalizar os contratos de transporte público da cidade —, na última sexta-feira, deixou claro ainda que a fiscalização feita pela Prefeitura sobre os contratos de transporte é praticamente inexistente, como já haviam constatado in loco os próprios integrantes da comissão. Além disso, Claudinei Castanha culpou as gratuidades e a diminuição do número de passageiros pelo alto preço da tarifa na cidade, dizendo que ela já deveria estar a R$ 4,65. Como se pode ver, não há, de parte da empresa, qualquer interesse em se adequar ao contrato assinado há mais de cinco anos e, muito menos, melhorar a qualidade do atendimento aos mais de 70 mil francanos que circulam nos coletivos diariamente.
A Cear vai ter muito trabalho para “abrir” a verdadeira caixa preta na qual se transformou o transporte coletivo urbano no município. Uma pergunta: mesmo sabendo que não teria condições de operar de acordo com o contrato, por que a Empresa São José participou da concorrência? Além disso, deve explicar quais as razões que levaram seus diretores a imaginar, de antemão, que poderia contornar as exigências. E, acima de tudo, quais argumentos transformaram o antecessor de Gilson de Souza (DEM) em um defensor ferrenho da empresa de ônibus a ponto de fechar um acordo, na surdina, liberando a São José de cumprir integralmente o contrato assinado um ano antes? Como o dono e nem o gerente em Franca se recusam a depor na Comissão Especial, dificilmente os vereadores e o restante da população terão a resposta a estas indagações, que não são apenas nossas, mas também de todo francano que sofre com o transporte coletivo urbano no município.
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