O dono da Empresa São José, Belarmino Marta, e o gerente de serviços em Franca, Delismar Rodrigues, deveriam prestar depoimento à Cear (Comissão Especial de Assuntos Relevantes), criada para fiscalizar os contratos de transporte público da cidade, nesta sexta-feira, mas, mais uma vez, não compareceram. Em seus lugares, ambos enviaram como representante o consultor técnico Claudinei Castanha, que trabalha no grupo Bancaf, que abrange a São José e as outras 30 empresas de ônibus controladas por Belarmino e que operam em 40 municípios do Estado.
O depoimento de Castanha durou cerca de duas horas. Ele reforçou que a fiscalização feita pela Prefeitura sobre os contratos de transporte é praticamente inexistente. Também culpou as gratuidades e a diminuição do número de passageiros pelo alto preço da tarifa na cidade.
Um dos pontos que mais chamaram a atenção no depoimento do consultor foi, quando questionado pelo presidente da Comissão, o vereador Corrêa Neves Jr. (PSD), sobre o processo de licitação de 2009, Castanha admitiu que a São José participou da concorrência em Franca já sabendo que não cumpriria as exigências feitas pela Prefeitura no edital. “A gente já tinha percebido isso (que era impossível cumprir), mas decidimos participar mesmo assim e ver o que faríamos depois”, disse, justificando o fato de a empresa que já era a operadora do serviço em Franca não impugnar as exigências consideradas por eles como “impossíveis” de serem atendidas, como, por exemplo, a colocação em operação de uma frota de 170 ônibus, a compra de ônibus biarticulados para circular nas áreas centrais, entre outras.
Segundo Castanha, a São José só passou a questionar os termos do contrato de transporte depois que o mesmo já havia sido assinado. “Logo no começo, a gente já começou a avisar a Prefeitura que não tinha como a gente aumentar a frota e a Prefeitura à época concordou. A gente já falava que aquela tarifa de referência que constava no edital não tinha como ser mantida.”
O consultor também foi questionado sobre a retirada dos cobradores de boa parte das linhas de ônibus. Segundo ele, a medida foi adotada para diminuir os custos para a empresa e comunicada à Prefeitura. “Nós avisamos que faríamos e a Prefeitura autorizou.” Ainda de acordo com Castanha, com a retirada dos profissionais, houve uma economia de 10% para a empresa.
Ele também afirmou que é necessário um aumento no valor da tarifa. “Atualmente com a tarifa a R$ 3,80, a operação do sistema de transporte em Franca é deficitária. Não cobre os custos. O ideal seria uma tarifa de R$ 4,65.”
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