NÚMEROS DA INADIMPLêNCIA MOSTRAM QUE RETOMADA AINDA ESTÁ DISTANTE
O Brasil tem vivido, nos últimos dias, as incertezas sobre os reflexos que as reformas da Previdência e Trabalhista trarão. A preocupação maior, claro, é se as medidas serão capazes de permitir a retomada econômica do País, que ainda vive em plena crise. O maior problema do brasileiro, atualmente, reside no mercado de trabalho, com o aumento do desemprego. Os setores produtivos não conseguem atingir os níveis de cinco anos atrás e há três os números só aumentam. Já estamos perto de 15 milhões de desempregados — que procuram uma colocação e não conseguem —, engrossando o mercado informal. Milhões hoje vivem de bicos, enquanto outro tanto tenta conseguir o sustento de familiares como vendedores ambulantes e camelôs.
Os índices de inadimplência, que crescem mês a mês, são um bom termômetro da crise que atinge a atividade econômica brasileira. O percentual de famílias inadimplentes — com dívidas ou contas em atraso — no País ficou em 24,1% em abril deste ano. A taxa é superior às observadas em março passado (23,7%) e em abril de 2016 (23,2%). Esse é o maior percentual registrado pela Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) desde setembro do ano passado (24,6%). O percentual de famílias que não terão condições de pagar suas contas ou dívidas chegou a 9,7% em abril. A taxa é inferior aos 9,9% de março, mas superior aos 8,2% de abril de 2016, segundo a pesquisa. O percentual de endividados (em atraso ou não) ficou em 58,9% em abril deste ano, taxa acima dos 57,9% de março deste ano, mas abaixo dos 59,6% de abril do ano passado. De acordo com a CNC, 76,6% das dívidas são com cartão de crédito. Também são importantes fontes de endividamento os carnês (15,3%), financiamentos de carro (10,6%), crédito pessoal (9,9%) e financiamento de casa (8,1%).
Como se pode ver, crise impacta não apenas a indústria, mas chega hoje a setores que conseguiram passar praticamente incólumes por atropelos econômicos anteriores. As reformas que tramitam no Congresso não se mostram capazes de trazer de volta os postos de trabalho suprimidos. Milhões de brasileiros já deixaram a classe média e, a continuarem as indefinições, podem engrossar a classe D. A indigência está rondando quem, cinco anos atrás, surfava nas ondas do pleno emprego. Nossos representantes, no Executivo e Legislativo principalmente, precisam ter coragem para efetuar cortes nas própria carne, suprimindo benefícios e vantagens de seus cargos para cobrir o rombo das contas públicas, exigindo menos daqueles que trabalham e produzem, sob o risco de ver a crise se aprofundar e criar um batalhão de miseráveis.
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