População reclama de tarifa e da falta de cobrador em ônibus


| Tempo de leitura: 3 min
Audiência pública da Cear que fiscaliza dos contratos da Prefeitura com a Empresa São José
Audiência pública da Cear que fiscaliza dos contratos da Prefeitura com a Empresa São José
O alto preço da tarifa de transporte público na cidade e a retirada dos cobradores dos ônibus foram as principais reclamações feitas pelos usuários durante a audiência pública da Cear (Comissão Especial de Assuntos Relevantes), criada pela Câmara Municipal para fiscalizar os contratos assinados entre a Prefeitura e a Empresa São José, na manhã desta quarta-feira.
 
Na abertura da audiência, o presidente da Comissão, o vereador Corrêa Neves Júnior (PSD) fez uma breve apresentação de todo o trabalho já desenvolvido pela Cear desde a criação em abril. “Já recebemos mais de 15 mil páginas de documentos. Todas estão sendo analisadas e vamos, sim, sugerir mudanças para a Prefeitura, principalmente, em relação à total falta de fiscalização do sistema de transporte e do alto valor da tarifa”.
 
Apesar da divulgação, a audiência não teve uma grande participação popular. O presidente atribuiu a baixa presença dos usuários ao horário marcado. “Realmente, recebemos muitas manifestações reclamando do horário marcado para esta audiência. Normalmente às 9 horas, muitos trabalhadores precisam estar no serviço e não puderam comparecer”. Uma nova audiência para ouvir a população foi agendada para a próxima quarta-feira, dia 10, às 19 horas. 
 
Em seguida, foi aberta a palavra para os usuários. O primeiro a reclamar foi Nelson da Rocha Neves, morador da região do Leporace. “Estou aqui porque acho um absurdo o preço cobrado pela tarifa. Como pode um trabalhador que tem um salário médio de R$ 1 mil ter de gastar de transporte mais de R$ 200 por mês? É inadmissível. Isso precisa ser revisto. Os senhores têm que encontrar uma saída”. Ele também pediu a implantação de corredores regionais de ônibus principalmente ligando os bairros ao Distrito Industrial sem a necessidade de passar pelo Centro. 
 
A dona de casa e membro da Udecif (União em Defesa da Cidadania em Franca), Rejane Silva Barbosa, reclamou da retirada dos cobradores nos ônibus. “Eu moro no Jardim Palestina e vejo como a retirada desses profissionais afetou a qualidade dos serviços. Agora como o motorista é obrigado a fazer também a cobrança, ele acaba atrasando para sair. Fica estressado, perde a paciência com os usuários e depois ainda acaba correndo para recuperar o tempo perdido”. 
 
Rejane também falou sobre as dificuldades vividas pelos deficientes. “Com a retirada dos cobradores, os motoristas não têm paciência com eles. Deixam eles por último e reclamam muito de ter de atendê-los”. A dona de casa ainda falou sobre as gratuidades e a falta de fiscalização.
 
O usuário César Fabrício de Oliveira aproveitou para reclamar da falta de manutenção do Terminal Central de Ônibus. “O terminal está malconservado. Tem goteiras em todo lugar, quando chove é um transtorno, Os banheiros também não funcionam”. Ele também questionou se é possível dividir a licitação do transporte em mais de um lote para que o serviço seja prestado por mais de uma empresa. 
 
Por fim, o servente de pedreiro aposentado Adailton Marinho, de 62 anos, reclamou da superlotação nos ônibus que atendem o Leporace. “Sofro com o transporte público há 24 anos. Mas agora está pior. Queria pedir para colocarem mais ônibus, porque muitas vezes eles estão tão lotados que os motoristas nem param”.
 
Além dos membros da Cear Ilton Ferreira (DEM), Diretor Marcos (PSDB) e Corrêa Neves Jr. (PSD), também estiveram acompanhando a audiência os vereadores Carlinhos do City Petrópolis (PMDB) e Pastor Palamoni (PSB). 
 
As questões levantadas vão ser analisadas e devem ajudar a compor o relatório final da comissão.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários