Um dos mais tradicionais de Franca, a Estação, convive com um cenário que preocupa. São diversos prédios depredados; sujeira espalhada pelas praças, usuários de drogas reunidos em grupos intimidadores, moradores de rua, registro de diferentes delitos. A reportagem percorreu as principais ruas e avenidas do bairro nas últimas duas semanas e constatou a reclamação dos moradores e comerciantes, que se queixam da sensação de insegurança e do aspecto de abandono da Estação.
“Não importa a hora nem o lugar. Quando não estão pedindo dinheiro, roubando ou ameaçando as pessoas, os moradores de rua estão sob efeito de drogas causando baderna. Não tem mais jeito de trabalhar tranquila aqui”, disse uma vendedora de uma loja de roupas, que pediu para não ser identificada.
Um empresário do ramo de móveis, que reside na região há mais de 50 anos, sentiu no próprio bolso a ação de marginais. “Entraram em um prédio que alugo, danificaram tudo e tive um prejuízo de R$ 40 mil. O bairro onde estruturei minha vida, criei meus filhos e vejo meus netos crescerem foi tomado por vândalos, moradores de rua e pela prostituição. Até quando?”
Até mesmo quem não mora nem trabalha no bairro, mas passa por ali, nota a propagação dos problemas, que parecem não ter solução. “Nos últimos dias, ouvi muitas histórias e li notícias sobre assaltos aqui. Tem família sendo refém dentro da própria casa, pedestre roubado, loja invadida, os bens levados... E não só isso. Independente da hora, há mendigos que não nos deixam em paz”, reclamou uma cabeleireira, enquanto aguardava o ônibus na praça Sabino Loureiro.
Medidas
A Polícia Militar informou, por nota, que os casos foram encaminhados para a área responsável pelo policiamento na região “para análise, desenvolvimento e intensificação do patrulhamento”. A PM esclareceu ainda que é importante que as vítimas de crimes registrem os delitos. “Diariamente, é elaborado um planejamento estratégico com base em estatísticas criminais de fatos registrados por região. Por isso, em caso de emergência, deve-se acionar o 190”.
A Prefeitura disse que os moradores de rua são alvos de ações. “Realizamos operações de busca periódicas e abordagens dos moradores para encaminhamentos aos serviços públicos disponíveis, como o Abrigo Provisório e o Centro Pop”, disse a assessoria de comunicação do município, que ainda afirmou ofertar passagens para retorno desses cidadãos para suas cidades de origem.
No caso do prédio da antiga Estação Mogiana, um dos mais depredados nos últimos anos, a Prefeitura informou que avalia diversos estudos para reforma e revitalização, mas que precisa da anuência do Condephat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico do Município), e de recursos para a obra.
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