Desemprego só aumenta


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PAÍS SEGUE CÉLERE PARA ABRIGAR 15 MILHÕES DE DESEMPREGADOS
 
Grande reflexo da crise (pauta que as centrais sindicais deixaram de lado na greve geral de sexta-feira), o mercado de trabalho continua se deteriorando mês a mês. A situação decorre da estagnação do setor produtivo, cortando vagas na indústria, no comércio e na agricultura. Até o setor de serviços vem sofrendo com a crise, ao lado do comércio que consegue registrar apenas pequenas evoluções em seus números por causa de datas comemorativas. Recentemente, a venda de ovos de Páscoa ficou aquém do esperado: as lojas e supermercados restringiram seu estoque e muitos consumidores optaram por presentear com barras de chocolate em razão do preço inflacionado dos ovos tradicionais.
 
Segundo divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última sexta-feira, o número de desempregados no País atingiu 14,2 milhões de pessoas no trimestre encerrado em março, um novo recorde. O número é 1,8 milhão maior do que o verificado no trimestre anterior e 3,1 milhões superior ao registrado no mesmo trimestre de 2016. O total de desempregados é o maior desde o início da série histórica desse indicador, em 2012. O IBGE considera como desempregadas as pessoas que buscam uma ocupação formal, mas não conseguem. Essa taxa de desocupação foi estimada em 13,7%, e representa a porcentagem da população em condições de trabalhar que não conseguiu emprego. Esse índice também bateu recorde nos três meses encerrados em março deste ano, e era de 12% no trimestre encerrado em dezembro, e de 10,9% entre janeiro e março de 2016.
 
Como se pode ver, o Brasil deve ultrapassar facilmente os 15 milhões de desempregados caso a situação atual perdure. Isso sem contar o grande número de “nem nem” (os que nem trabalham e nem procuram emprego), o qual pode deixar o índice de desempregados no Brasil ainda maior. A questão é que não se vê uma preocupação maior de nossas autoridades no sentido de resolver este grande problema. Não se buscam fórmulas capazes de levar a uma retomada do crescimento e da produção. A reforma trabalhista — que, a despeito da oposição das centrais sindicais, deverá ser aprovada no Congresso e sancionada pelo presidente Michel Temer — não é garantia de que as contratações de trabalhadores voltará aos níveis de três anos atrás. Alguns pontos deverão impactar na relação empregador-empregado, mas até agora é impossível qualquer exercício de futurologia. Por isso, é preciso que o governo se mexa com celeridade para enfrentar com coragem o maior flagelo do trabalhador brasileiro, hoje, que é engrossar o contingente daqueles que perdem o emprego e não conseguem nova colocação.

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