NÃO OCORREU MOVIMENTO ESPONTÂNEO EM qualquer PONTO DO NOSSO BRASIL
Quando se fala em manifestação (ou greve geral), o mínimo que se espera é que a adesão de seus participantes seja espontânea. Não foi o que se viu ontem nos mais diversos pontos do País, incluindo aí o nosso município. Os piquetes realizados por sindicalistas em vias de grande tráfego causaram, além de congestionamentos, irritação geral naqueles que queriam seguir para o serviço. Em Franca, as poucas centenas de pessoas que se reuniram no centro, na tarde de ontem, foram o termômetro do que ocorreu em todas as cidades onde centrais sindicais organizaram a chamada greve geral: muita gente não trabalhou porque ficou presa no trânsito e não conseguiu chegar ao local de trabalho ou então não tiveram condições de buscar transporte alternativo. Uma greve inexiste se a falta ao trabalho for imposta.
Não defendemos as medidas tomadas pelo governo. Mas sim, como sempre, o Comércio se bate pelas liberdades individuais do cidadão, o direito de ir e vir. A possibilidade de livre associação. Pela primeira vez em nosso País viu-se as maiores centrais sindicais (CUT, CGT e UGT) unidas em uma manifestação. O principal ponto é que a reforma trabalhista (um dos motes da paralisação) acaba com o imposto sindical compulsório, que obriga o trabalhador a abrir mão de um dia de trabalho no ano em favor da entidade de classe, seja ele sindicalizado ou não. As reformas que estão evoluindo no Congresso (trabalhista e previdenciária) acabarão aprovadas, com greve geral ou não. É bom ressaltar que trabalhista nenhum direito do trabalhador será retirado (FGTS, décimo terceiro e horas extras, por exemplo). A previdenciária vai exigir mais do trabalhador para se aposentar, mas também não irá prejudicar os beneficiários do INSS e os que já contam com o direito adquirido.
Muita gente tem criticado a oportunidade do movimento. Por que não se organizaram manifestações num final de semana? Escolheu-se uma sexta-feira, criando-se um “feriadão” de quatro dias, já que na segunda-feira, primeiro de maio, todos estarão parados. Nada se consegue com este tipo e pressão, muito menos legitimidade. Manifestações anteriores, que realmente contaram com apoio popular, foram capazes de assustar e provocar mudanças. Mas nenhuma tão profunda no sentido de causar uma alteração no “status quo”. No decorrer de décadas nossos governantes se acostumaram a decidir de acordo com suas conveniências e seus bolsos. Mas, estranhamente, os organizadores da greve geral de ontem não investiram contra a corrupção que envolve grande parte de nossos parlamentares, governantes e ministros. Este é o grande problema que o País enfrenta hoje. Os demais seriam resolvidos como consequência de uma completa limpeza nas nossas casas legislativas e palácios de governo. O que a greve de ontem ignorou.
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