SINDICATOS PROMETEM PARAR O PAíS: SERÁ QUE VAI ADIANTAR ALGUMA COISA?
Protestando contra as reformas trabalhista e da Previdência, centrais sindicais mobilizam seus aliados, nesta sexta-feira, para uma greve geral. Uma ampla gama de trabalhadores, de professores a bancários e metalúrgicos a sapateiros, entre outros, prometem manifestações ruidosas em todas as capitais do País e cidades de maior porte, como a nossa Franca. Porém, levando-se em conta o retrospecto de manifestações recentes, não há garantia de que conseguirão êxito. A insensibilidade de nossa classe política já ficou demonstrada em junho de 2013, quando os protestos reuniram multidões pedindo mudanças no sistema político brasileiro e o fim da corrupção. A princípio, governo, senadores e deputados, surpreendidos, anunciaram mudanças. Até este momento, nada! As únicas modificações no sistema político discutidas beneficiam apenas aqueles que hoje detêm o poder de legislar, como a votação em lista fechada. Só a corrupção vem sendo combatida, mas pela Polícia Federal e o Poder Judiciário. Inclusive, senadores e deputad
os estão tentando criar leis que beneficiem parlamentares encalacrados com a distribuição de propinas descoberta pela Operação Lava Jato.
Quanto à greve programado para hoje, em razão de seu viés político, envolvendo apenas entidades sindicais (que se sentem ameaçadas com a mudança nas leis trabalhistas e a possibilidade de perderem a famigerada contribuição sindical), não há grandes possibilidades de que o Congresso altere o que vem sendo discutido até agora. As entidades sindicais já sabem que não conseguirão grande coisa. Da mesma forma ocorreu com as manifestações contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT): ela perdeu o mandato e corre o risco de ser julgada e condenada pela Justiça Eleitoral, ao lado do hoje presidente Michel Temer (PMDB).
Já os congressistas, por seu turno, dificilmente recuarão em sua decisão, principalmente no que diz respeito à reforma da Previdência. Para recuarem em algum ponto do projeto em discussão, deputados e senadores teriam que fazer cortes em alguns dos inúmeros benefícios que desfrutam. Outra medida necessária seria a redução do número de parlamentares no Senado e na Câmara. A experiência demonstra que isso nenhum deles quer. Seria mais legítima manifestação contra a corrupção que atinge perto de uma dezena de partidos, mas isso os sindicalistas não pretendem, já que atingiria o maior ícone da esquerda no País, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, cada vez mais enrolado com a delação dos diretores das empreiteiras envolvidas com a Lava Jato. O brasileiro vai ser prejudicado: bancos, transporte, educação e até saúde pública devem parar. Sem que a greve geral encontre eco junto ao Poder Público e à classe política.
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