O ataque do caminhoneiro Donizete Luís de Pádua, 52, contra sua ex-namorada Juliana Proença Ferreira, 36, na noite de terça-feira no estacionamento do hipermercado Tonin Superatacado, na região do Leporace, foi premeditado, segundo o delegado Márcio Murari, titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), responsável pelo caso. “Ele sabia o que ia fazer. Atraiu a vítima para uma armadilha e tentou matá-la.”
Ontem, Murari ouviu quatro testemunhas. Entre elas, a mulher com quem Juliana divide um apartamento há quatro anos. Ela é quem teria contado ao delegado como tudo aconteceu. Segundo a amiga, Juliana estava em casa por volta das 19 horas de terça, quando recebeu um telefonema de Donizete. “Na ligação, o agressor disse que estava indo embora para Fortaleza (CE). Que estava cansado de brigas e queria se distanciar da vítima”, contou.
No telefonema, Donizete teria feito um último pedido: se encontrar pessoalmente com Juliana para se despedir. Ressabiada, Juliana resolveu que o encontro deveria acontecer em um local com grande movimento. Ela escolheu o estacionamento do hipermercado que fica próximo a seu apartamento.
Agressão e ameaças
Segundo Murari, a precaução tinha razão. Desde que Juliana havia terminado o namoro, que entre idas e vindas estava perto de completar duas décadas, Donizete tinha mudado seu comportamento. “Ele não aceitava o fim do relacionamento. Queria voltar e a perseguia”, disse.
A situação teria ficado pior depois que, em março, ele a agrediu. “Juliana tinha ido comer um lanche com a amiga em uma lanchonete próxima de casa. Do nada, Donizete apareceu. Eles discutiram e ele acabou agredindo ela fisicamente.”
Juliana registrou queixa na Delegacia da Mulher, o que despertou a ira do ex-namorado. “Ele, então, passou a ameaçá-la de morte.”
O ataque
Na terça-feira, Juliana estava com medo, mas decidiu que deveria dar o último adeus. No horário marcado, ela foi sozinha se encontrar com Donizete. Ele a esperava em seu carro no estacionamento. Segundo o delegado, Juliana mal entrou e o caminhoneiro já começou uma discussão. Quando ela tentou sair do veículo, ele puxou a arma e deu os primeiros tiros. Duas balas acertaram Juliana no braço e um terceiro tiro acabou atingindo a empresária Angélica Barca Custódio, do Jardim Redentor, que estava em um outro veículo estacionado ao lado, com seu filho e o marido.
Apavorada, Juliana tentou correr para dentro do hipermercado, mas não conseguiu. Na entrada, acabou caindo. Donizete se aproximou e, com ela já no chão, acertou mais três tiros na região de trás de seu pescoço.
“Como ele percebeu que a vítima não tinha morrido e as balas do revólver já tinham acabado, ele correu para o carro e a atropelou”, disse o delegado.
Não satisfeito, Donizete ainda tentou, mais uma vez, passar por cima do corpo de Juliana, mas o marido de Angélica a arrastou, impedindo o atropelamento. Só, então, Donizete fugiu.
A caçada
Ontem os policiais da DIG passaram o dia caçando o caminhoneiro. Segundo informações não confirmadas, ele estaria morando em uma casa na Quinta do Café com outros funcionários de uma usina da região onde trabalhava.
Juliana e Donizete seriam de Passos (MG). A Polícia ainda não sabe quando o casal teria se mudado para Franca. “Ainda não temos alguns detalhes porque não ouvi o depoimento da vítima, que está muito abalada”, explicou o delegado, que deve marcar a oitiva para os próximos dias.
Ontem, Juliana permanecia internada na Santa Casa. Segundo sua amiga, ela não quer dar entrevistas. “Ela chora muito. Ainda não entende direito o que aconteceu. Está muito abalada, mas graças a Deus está se recuperando bem.”
Angélica, que também foi baleada, passou a noite internada no Hospital Unimed e recebeu alta na manhã de ontem. Ela ainda permanece com o projétil alojado no corpo e deve passar por novos exames para averiguar a necessidade de cirurgia.
O delegado Márcio Murari disse que deve apresentar à Justiça nesta quinta-feira o pedido de prisão temporária do caminhoneiro. “O crime foi muito violento. Por um milagre, a vítima não morreu. Mas houve premeditação. Então, vou pedir a prisão temporária e continuaremos investigando para encontrar o autor.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.