Retornei a Fortaleza, capital do Ceará, depois de dezoito anos que ali estive pela primeira vez. Deparei, infelizmente, com uma cruel realidade: O saneamento básico e a situação econômica e financeira da maioria da população, continuam caóticos.
As praias centrais permanecem impróprias para banho, pois parte do esgoto coletado é despejado no mar sem tratamento ou com tratamento ineficiente. Em razão disso, praias como as de Iracema e Meireles ficam totalmente desertas. As mais afastadas continuam lindas e aprazíveis.
É assustadora a quantidade de lixo não coletado e depositado às margens de vias públicas. O cheiro exalado é insuportável.
No plano econômico, há inúmeros imóveis comerciais desocupados e de pessoas subempregadas, vivendo de bicos e da caridade dos turistas, que compadecem da miserabilidade deles. São crianças, adolescentes e adultos que, por não conseguirem trabalho digno, acabam morando nas ruas e vivendo da caridade dos outros. Certamente essa seja a causa dos atuais atos de violência naquele Estado.
A situação causa perplexidade, pois constata-se que toda a propalada riqueza do país, garantida pelos últimos governos do PSDB e do PT, não chegou ao Estado do Ceará.
Políticos locais de grande projeção nacional, como Tasso Jereissati, Ciro Gomes, Eunício de Oliveira, dentre outros (alguns, inclusive, que se alternaram no governo estadual), nada fizeram de concreto, muito embora seja de domínio público que recursos — e muitos — foram destinados àquele Estado.
Enfim, passam-se os anos, a economia cresce, mas o que se constata, com tristeza, é que todas esses indicadores econômicos positivos, anunciados pelos governos, não acabam chegando a quem mais necessita: a população carente, especialmente dos Estados mais pobres da Federação.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.