Uma mensagem enviada nos últimos dias em rede social anunciava a ação “Criança não namora”. Mesmo partindo de uma notícia supostamente fake, o texto que circulou por quase todas as redes fomentou a efetivação de campanhas por entidades, grupos de defesa do menor e também de órgãos públicos. Mas criança não namora? Não mesmo! Também não beija na boca, não dança com o bumbum até o chão, não assiste a programas televisivos não classificados para sua faixa etária. Os pequenos necessitam de direcionamento, não de omissão diante da erotização precoce.
Ora ou outra, os filhos chegam da escola com a notícia do namoro. Para alguns pais, representa o desabrochar de sentimentos. Para outros, o surgimento da preocupação de que os instintos afloraram e merecem atenção. Se normalmente eles reproduzem o que veem, pronunciar o verbo “namorar” na primeira infância não deve ser um absurdo se há controle do que a criança presencia em seu ambiente de convívio. Na verdade, ela nem sabe o significado do namoro, que muitas vezes só foi potencializado pela projeção de um adulto.
E qualquer comportamento atípico ou não costumeiro requer vigilância e diálogo. As escolas têm papel preponderante neste processo. Precisam estar capacitadas para direcionar a conduta de professores e alunos. Lá, os meus e os seus filhos terão contato com outros pequenos que trarão os mais variados tipos de experiências e vivências no campo do relacionamento humano. Diante de tanta informação, a tônica é orientar.
Além disso, não se pode descartar o machismo radicado nas entranhas da sociedade. Muitos pais de meninos, desde muito cedo, os incentivam a buscar a namoradinha, a revelar quem é a escolhida, a mostrar o órgão genital diante de familiares, a falar que “é macho”. Os de meninas tendem a recriminar qualquer atitude neste sentido, cobram comportamento adequado e as inibem de expressar seus sentimentos...
Não dá para criar filhos em redomas de vidro. Isso é fato, portanto, na “era do funk” e do alto fluxo de informação que salta das multimídias, a luta contra a erotização é uma constante. Não preparada para estas transformações, a sociedade deixa de investir na orientação preventiva às crianças, especialmente no que diz respeito à sexualidade e ao comportamento. Há banalização e preguiça em corrigir atos falhos. Muitos pais não querem se indispor com os filhos. Aliás, “deixa pra lá, é coisa da moda”.
A indústria fonográfica, a mídia televisiva e, especialmente, a internet difundem um lixo musical que coloniza os lares. Em doses homeopáticas ou não, deturpam o comportamento e tão pouco é banido pelos pais. Crianças pequenas são vistas como “engraçadinhas” no requebrar das cadeiras e nas expressões corporais durante a dança de contexto sexual. Mais tarde, serão julgadas, corrigidas e os mesmos pais que incentivaram a prática cobrarão a formação de uma personalidade dotada de princípios e caráter.
Na infância, não incentive seu filho, seja menino ou menina, a dizer que “namora”. Busque sanar todas as curiosidades acerca de sua sexualidade e sentimentos, deixe claro que ele amadurecerá e cada fase chegará a seu tempo. Criança brinca, estuda, recebe e oferta carinho, faz amizade... mas não namora, nem de brincadeira! Namoro é coisa de gente adulta.
Estar atento a toda esta metamorfose e a sinais que evidenciem a erotização precoce é indispensável para garantir que a criança tenha uma infância e desenvolvimento mais saudáveis. Não aceite a contragosto o que te impõe a mídia. A sociedade exige a necessidade da “igualdade” para ser bem aceito, para não ser chamado de “careta” e alvo de chacotas. Ser diferente em um mundo de contravenções morais requer empenho familiar. E, lembre-se: a moda na sua casa é você quem faz.
Leandro Nigre é pai, jornalista, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe do jornal O Imparcial, em Presidente Prudente e idealizador do projeto Papai Educa www.papaieduca.com.br. Contato: papaieduca@gmail.com
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