As visitas que fazíamos ao médium Chico Xavier, em Uberaba, nos rendiam ótimos ensinamentos. Acudindo depressivos, por vezes, o flagramos apresentando aos doentes a receita do trabalho. Dizia: “Trabalhe sempre, meu filho, ainda que sob o terrível desconforto da depressão.” Reforçava o entendimento de que o labor é o melhor antídoto contra tristezas e preocupações.
Ao contrário do que pensa muita gente que defende o recolhimento quando estamos tristes e melancólicos, Chico dava a entender que a morbidade tem estreita relação com a indolência.
Apoiados na sabedoria do saudoso médium mineiro e na certeza de que mente ocupada não tem espaço para pensamentos ruins, ousamos aconselhar: ponha-se a trabalhar, ainda que isso lhe seja penoso no começo, e logo perceberá que o panorama interior terá as cores cinzentas substituídas pelo domínio de cores brilhantes.
E tem mais: a mente operosa afasta influências de espíritos malévolos em favor da aproximação de benfeitores espirituais. Não nos esqueçamos da matemática da sintonia vibratória!
Não é por acaso que, em muitos hospitais, pratica-se a laborterapia, isto é, o tratamento dos enfermos por meio do trabalho. Claro que não se trata de obrigá-los a cumprirem tarefas que estejam acima de sua capacidade. Por que não a pintura, por exemplo? A música? O trabalho com hortaliças, conforme se vê, atualmente, nas clínicas de recuperação de dependentes de drogas? Guarde: ao contrário de um castigo, o trabalho é um poderoso antídoto contra as mazelas humanas.
(Artigo publicado excepcionalmente neste domingo em razão da não circulação do Comércio no dia habitual, sábado, por causa do feriado da sexta-feira)
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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