O ano era 2005. O antigo cadeião do Jardim Guanabara era um amontoado de problemas com superlotação, fugas, rebeliões e estrutura comprometida. Diante do quadro irreversível, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) prometeu construir um CDP (Centro de Detenção Provisória) em Franca.
A reação contrária foi imediata. Moradores vizinhos à área onde seria construída a nova unidade, nos fundos do City Petrópolis, fizeram um abaixo-assinado, pois não queriam o CDP perto de suas residências. Um grupo de empresários se dispôs a comprar terreno em outro local e doar para o Estado fazer a cadeia bem longe. A Câmara fez forte oposição.
Em abril de 2006, com dez votos, número mínimo necessário, os vereadores aprovaram o projeto que viabilizava a construção do CDP. Problemas com licença ambiental, burocracia e rebeliões, que forçaram o governo a priorizar a recuperação dos presídios danificados, atrasaram as obras, que só começaram em novembro de 2008.
O CDP foi inaugurado no dia 23 de abril de 2010 e custou R$ 29 milhões. A unidade completa sete anos neste domingo e quase ninguém lembra da sua existência. “Nosso padrão de segurança é muito rigoroso. Posso dizer que, para a cidade, o CDP é quase que invisível. Não trazemos nenhum tipo de aborrecimento para a população”, afirma o diretor Válter Moretto. Comerciante, que liderou os protestos contra a construção, hoje é um dos fornecedores.
Embora não seja reconhecido como presídio de segurança máxima, o CDP é quase uma fortaleza. “A ordem e disciplina são mantidas com rigor. Quando ocorre algum problema, inibimos com ações imediatas. Em sete anos, não registramos nem tentativa de fuga. Também não tivemos rebelião. Armas não entram. Um celular minúsculo passou, mas foi encontrado rapidamente”.
A não ser que a pessoa tenha sido presa, é praticamente impossível entrar no CDP sem autorização. Revista minuciosa e detector de metal reduzem a quase zero a chance do visitante passar com algum objeto ilícito. Várias portas com chapas e trancas grossas, com abertura eletrônica, são outras barreiras intransponíveis para chegar aos pavilhões onde ficam os presos. Tudo, monitorado por câmeras e vigilantes armados. O sistema de segurança ficará ainda mais rigoroso com a instalação de um scanner semelhante aos usados em aeroporto. “Procuramos dar ao preso tudo o que ele tem de direito e cobramos as obrigações. Seguindo estes parâmetros de controle, temos uma unidade que é referência”, completou Moretto.
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