Rosana Branquinho: 'O turismo pode mudar a realidade de uma cidade'


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Experiente quando o assunto é turismo, Rosana Branquinho, 54, acredita que a área pode mudar a realidade de uma cidade se trabalhada de forma organizada e planejada. Francana de coração, a atual responsável pela Divisão de Turismo municipal, empossada no início do ano pelo prefeito Gilson de Souza (DEM), é formada em marketing pela Unifran (Universidade de Franca) e turismo pelo Centro Universitário Uni-Facef, além de mestra em desenvolvimento regional. Natural de Pedregulho, ela chegou à Franca com apenas oito anos e, desde então, nunca mais saiu. Casada e mãe de três filhos, Rosana começou a trabalhar com 14 anos em uma empresa de comunicação. Apenas um ano depois, com 15 anos, teve seu primeiro programa na rádio Difusora. Foi nessa época que conheceu uma de suas maiores paixões: a comunicação.
Jornalista experiente, Rosana já atuou em rádio, televisão, jornal e revista, além de ser assessora de imprensa. Em 2001, quando ainda trabalhava como assessora do Franca Shopping, realizou a primeira Feira de Turismo Regional na cidade e, daí para a frente, nunca mais abandonou o turismo, mantendo em paralelo suas duas paixões. 
Há 17 anos trabalhando com turismo, Rosana já foi presidente por duas vezes do Comtur (Conselho Municipal de Turismo), publicou diversas revistas sobre o tema, além de manter um programa na TV local onde mostrava as belezas da região e o potencial turístico dos municípios vizinhos.
 
Hoje está em andamento o programa Turismo Rural, com a participação de mais de 20 produtores rurais. O objetivo desse projeto, segundo você, é promover geração de renda, negócios e empregos. Como pretende fazer isso?  
Em parceria com o Sindicato Rural de Franca, estamos trabalhando com um grupo de 22 pessoas, com o objetivo de identificar, capacitar e implantar negócios no campo, e assim, agregar valor a agricultura familiar. O curso tem uma carga horária de 220 horas, e é dividido em módulos que abordam: Identidade e Cultura, Gestão do empreendimento, Atrativos Naturais, Ponto de Venda, Meio de Hospedagem, Resgate Gastronômico, Encantando o Cliente e Consolidação. Já foram escolhidas as quatro propriedades que serão “modelo” para a prática das atividades. Ao final, esperamos que ao menos cinco propriedades estejam de porteiras abertas para receber. Uma das rotas que já começou a ser elaborada é a “Caminhos do Café”, que já conta com duas propriedades. Com isso, esperamos gerar renda para esses produtores. 
 
Franca acaba de ser incluída no Caminho da Fé. Como foi o processo de inclusão e quando ele está previsto para acontecer?
A inserção de Franca já foi autorizada pela Associação Caminhos da Fé, sediada em Águas da Prata, devido ao grande movimento de fieis que fazem o caminho. Entretanto, há uma negociação que está sendo feita, com as demais cidades que estão na nossa rota: Patrocínio Paulista, São Tomás de Aquino, São Sebastião do Paraíso, Itamogi e Monte Santo de Minas. São Tomás de Aquino e Itamogi já aderiram e, nos próximos dias, devemos ter uma posição das demais. É necessário que todas estejam no ramal, caso contrário, teremos que buscar uma rota alternativa. Ao sair de Franca, o peregrino começa aqui, oficialmente, a sua peregrinação. Além da religiosidade e fé, pretendemos incrementar o fluxo de turistas na cidade, que poderão vir um dia antes, por exemplo, de cidades da região, pernoitar na cidade e consumir no comércio local. Esta é uma ação que pretendemos que aconteça já no segundo semestre, onde prevemos um grande movimento de peregrinos em razão dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida.
 
Recentemente você divulgou que estava à procura de guias de turismo e proprietários de agências receptivas para colocar um projeto em andamento. Do que se trata?
A cidade recebe um número expressivo de visitantes que vêm tratar de negócios com os setores produtivos locais e que permanecem por mais de um dia. Este público é um potencial consumidor de toda rede de serviços e lazer da cidade, consequentemente, ele é um turista, e deve ser tratado como tal. Isso quer dizer que ele deve ser bem acolhido e ter à sua disposição ferramentas que facilitem e tornem agradável a sua estadia. Isso implica ter acesso a um serviço que o receba e ofereça opções de roteiros locais. Esse, aliás, é um trabalho extremamente importante. Trabalhar para implementar o turismo receptivo em Franca é uma de nossas metas que já está em andamento, por isso, um estande será montado na Expoagro para começarmos a avançar neste caminho.
 
Quando o governo completou 100 dias, você divulgou uma série de ações que estão em andamento, entre eles o festival gastronômico Mais Sabor. Como será esse projeto?
Previsto para o mês de novembro, aniversário da cidade, o evento pretende fomentar o turismo gastronômico, ao mesmo tempo em que promove os aspectos históricos e culturais da cidade, por meio dos pratos que serão servidos. Cada estabelecimento participante deverá criar um prato e batizá-lo com nomes de atrativos, bairros, ruas, etc.
 
Quais outros projetos estão nos seus planos para a área de turismo em Franca?
Temos dois projetos antigos do Comtur, que estão sendo resgatados. O primeiro é o de portais temáticos. Franca é uma cidade que não traz na sua paisagem urbana traços das forças produtivas da cidade ou de suas principais tradições. Há algum tempo tínhamos lixeiras em formato de cesta de basquete. Com o tempo elas se perderam. É preciso agregar estes elementos, de forma que as pessoas, ao chegarem aqui, já tenham esse contato visual do que temos de melhor. O outro é o Jardim Japonês. Já temos a praça denominada “Tsunessaburo Makiguti” e o nosso desejo é revitalizar esse espaço. Para viabilizar essas iniciativas, queremos criar atrativos para parcerias e tenho muita convicção que teremos sucesso nesse campo. 
 
Franca tem potencial para se transformar em um pólo turístico?
Temos uma cidade de gente hospitaleira, que é polo de referência para uma microrregião de mais de um milhão de habitantes, bem estruturada, capaz de abrigar investimentos de todo porte, sede de grande eventos como o Hallel, é referência no ensino superior de excelência, o que atrai para a cidade milhares de estudantes de outras cidades; é considerada o portal de entrada para o Turismo Regional, que por sua vez, oferece várias modalidades de Turismo: náutico, pesca, religioso, ecoturismo, aventura, científico, acadêmico, cultural, compras, gastronômico, entre outros. Toda essa gama de serviços aliada à boa vontade e empenho das principais forças representativas poderão alçar a cidade ao posto de destino turístico atraente e, consequentemente, gerar emprego, renda, inclusão social e encargos para o município.
 
Qual balanço você faz dos primeiros meses em que está à frente da Divisão de Turismo?
Entendemos que é necessário consolidar alguns atrativos, e colocar a casa em ordem, isso significa também um olhar mais atento e cuidadoso para o nosso patrimônio histórico-cultural, que não tem identificação e está em péssimo estado de conservação. Turista quando visita uma cidade quer fazer fotos, contar o que é, falar das particularidades. Sem informação e sem reforma, fica difícil estimular a visitação. Esse é um de nossos projetos também que esperamos conseguir colocar em prática. É importante ressaltar que a nova administração está bastante empenhada em fomentar e incrementar a atividade turística no município e avançamos bastante neste campo.

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