Invasão de ambulantes é alvo de discussão


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O paraibano Adailton Alves Pereira, 23, que está em Franca há dois meses vendendo redes
O paraibano Adailton Alves Pereira, 23, que está em Franca há dois meses vendendo redes
As avenidas Eliza Verzola Gosuen, Nazira Aidar, Presidente Vargas, Chafic Facury, entre outras dezenas de vias de Franca, transformaram-se em local de trabalho de ambulantes. Na tentativa de se manter, criar oportunidades, realizar sonhos e sustentar os filhos, comerciantes informais optam pela vida de vendedor. Sustento para eles, e concorrência desleal para os empresários que mantêm seus comércios legalmente e pagam  seus impostos.
 
O francano, ex-vendedor de remédios e futuro comerciante de queijos e doces Rafael Lemos, 26, conta que tem feito um “experimento” para saber a rentabilidade no ramo de queijos e doces, na região da Vila Santa Cruz. “Não tem muito tempo que estou neste ponto, mas a minha experiência aqui é para um teste, para ver se o ponto vale para a abertura de um comércio. E adianto que têm dado certo”, disse. 
 
O ex-comerciante aposta na “exclusividade” de seus produtos. “Os queijos que vendo é da região da Serra da Canastra, é diferenciado. As pessoas, às vezes, vêm no horário que não estou e ficam bravas, me ligam. Em padarias, varejões, ninguém encontra igual”, garante Lemos, que afirma vender 30 queijos por semana, tirando em média R$ 500 por mês.
 
Mas nem sempre os vendedores ambulantes são francanos. Em outro ponto da cidade, a reportagem encontrou o paraibano Adailton Alves Pereira, 23, que está em Franca há dois meses vendendo redes artesanais. “Uma hora estou em São Paulo, outra hora no Sul do país. Ando pelos Estados há três anos. Anteriormente, eu trabalhava fabricando as redes, hoje, apenas vendo”, disse. 
 
Pereira conta que fica longe de casa por quatro ou cinco meses, mas vale a pena. “Lá na região onde moro, é muito complicado conseguir serviço. Prefiro trabalhar por conta própria, sem patrão na cabeça, e ganhar mais.” Sem data e sem destino, Pereira disse que não tem tempo certo para ficar nas cidades, varia muito em razão das vendas. “Tem dia que vendo bastante, tem dia que nem tanto, mas em um mês bom, eu tiro por volta de R$ 3 mil.”
 
Escritórios e lojas nem sempre estão nos planos de trabalho ideal para as pessoas. É o caso da ex-vigilante e atualmente vendedora ambulante de frutas Érica Margarete Santos, 33. “Eu não gostava daquilo, me sentia muito presa. Faz dois anos que estou trabalhando com as vendas na rua. Até gosto, mas faço isso porque tenho dois filhos para criar e eu tenho que me virar.”
 
Érica conta que já investiu em vários pontos da cidade. “Prefiro o que estou hoje, mas já passei por muitas ruas e avenidas até chegar aqui”, afirma.
 
Apesar de essa prática ser um meio de sustento para várias famílias, a venda sem autorização da Prefeitura é irregular e os produtos podem ser apreendidos. Mas, desde outubro, a fiscalização não é feita em Franca (leia mais em texto nesta página).

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