Discussão deveria ser desnecessária


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‘FAIR PLAY’ DE RODRIGO CAIO VIRA TEMA DE DISCUSSÕES ACALORADAS NO PAÍS
No último final de semana, no jogo em que o São Paulo foi derrotado pelo Corinthians por 2 a 0, na partida de ida de uma das semifinais do Campeonato Paulista, o zagueiro tricolor Rodrigo Caio protagonizou dentro de campo uma cena que nos dias de hoje ainda é considerada exceção, quando deveria ser regra, não apenas no futebol como também em outros setores do nosso cotidiano. Ao ver o juiz da partida penalizar com um cartão amarelo o centroavante Jô, do alvinegro paulistano, desfez o equívoco: avisou ao árbitro que o atacante corintiano não havia cometido uma falta contra o goleiro sãopaulino, Renan Ribeiro. A TV mostrou o lance em ângulo fechado e se viu que o arqueiro tinha sido tocado pelo seu companheiro de equipe, o próprio Rodrigo Caio. Num meio onde os jogadores simulam faltas e agressões, a atitude do zagueiro acabou causando um alvoroço tremendo, sendo tema de discussões acaloradas nas resenhas de TV e rádio e notícias de jornal. Até ontem o assunto ainda repercutia de forma exagerada: Rodrigo Caio fez o que é certo e todos os outros jogadores teriam que se mirar em seu exemplo.
 
Causou enorme estranheza, porém, a reação de Maicom, companheiro de zaga de Caio, ao dizer em entrevista coletiva que não agiria como o colega. “Prefiro ver a mãe dos outros (adversários) chorando em casa do que a minha”, explicou. O problema maior envolveu alguns analistas esportivos, que também demonstraram estranheza diante da honestidade do jogador. Numa época em que se prega o “fair play” no futebol, a atitude deveria ser explicada também na política e no dia a dia de qualquer cidadão, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. A honestidade teria que pautar todas as nossas ações. Só assim poderemos almejar um mundo melhor para aqueles que nos sucederem no planeta.
 
Na mesma direção, um estudante do ensino fundamental deu mostras de que a honestidade é recompensada. O garoto, de apenas oito anos, encontrou R$ 40 no chão do Teatro Municipal de Ribeirão Preto quando ele e outros 400 alunos de escolas públicas visitavam o local e resolveu entregar o dinheiro para os responsáveis pelo teatro para que a quantia fosse devolvida a seu dono. No final, o dinheiro lhe foi entregue depois que o legítimo proprietário não foi encontrado. O garoto disse que muitos de seus colegas tentaram dissuadi-lo da intenção de devolver a quantia. No final, gastou tudo em pão de queijo e chocolate. Uma atitude louvável, que nos faz ter fé nas próximas gerações. Divulgado pela TV, também este assunto chamou a atenção. Não deveria ser encarado como algo extraordinário. Pena que nosso mundo anda assim, mas, por causa do pequeno ribeirão pretano, a confiança nas futuras gerações permite que imaginemos um futuro bem mais auspicioso.

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