As últimas semanas em Franca têm sido de violência. Crimes por razões que vão desde acerto de contas até vingança decorrente de brigas estão surpreendendo até mesmo as autoridades policiais, que têm visto estatísticas maiores do que as registradas em anos anteriores. Um exemplo disso são os homicídios, que atingiram a marca de 11 vítimas em pouco mais de 100 dias. O índice, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, bateu recorde e é o maior registrado desde 2007.
Desde o início do ano, são 11 pessoas mortas em Franca, incluindo o assassinato dos irmãos Lessandro e Leandro Gonçalves Castro. A DIG (Delegacia de Investigações Gerais), responsável pela elucidação dos crimes, trabalha para saber se o autônomo Luiz Antônio da Silveira, 52, desaparecido há quase duas semanas, está entre elas, já que a polícia encontrou um corpo carbonizado no porta-malas de seu veículo. Há ainda um registro de morte suspeita, em que não sabe o que causou o óbito de Israel Miranda, de 51 anos. Ele pode tornar-se a 12ª vítima de assassinato em Franca apenas de janeiro até ontem.
Das mortes com histórico já apurados, oito pessoas foram assassinadas a tiros, uma a pauladas e outra a facadas. Para o delegado titular da DIG, Márcio Murari, independentemente do objeto usado, delitos dessa natureza continuarão acontecendo por conta das reações extremas das pessoas e pela impunidade. “Acontecem por pouca coisa e motivos fúteis. O número crescente é reflexo da impunidade. A legislação brasileira é branda e não intimida aquele que mata”, disse.
Reforço policial
Para esclarecer os assassinatos cujos responsáveis ainda não foram identificados e capturados, o Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa da DIG aumentou seu efetivo. Segundo Murari, desde ontem, o número de investigadores triplicou. “Dividimos as equipes para que cada dupla de investigadores fique responsável por um caso e as respostas sejam alcançadas”, disse.
Entre as mortes a esclarecer pelos seis policiais, estão dois casos registrados na semana passada: do autônomo Júlio César Barreto, de 39 anos, e do vigia Miguel Florêncio da Silva, 64. O primeiro aconteceu no meio da rua Ângela Rosa Scarabucci, no Jardim Ângela Rosa. Na ocasião, Barreto levou três tiros e os dois autores fugiram em uma moto.
Já a morte do idoso, registrada na Sexta-feira Santa, ocorreu no Jardim Adelinha, bairro que está sendo construído entre a Quinta do Café e o Jardim Bonsucesso. Ele também foi atingido por três tiros e morreu no contêiner em que morava. A hipótese de que Silva tenha reagido a um assalto tem sido investigada pela polícia, mas ainda não há pistas dos autores.
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