PREFEITO CHAMA político amigo PARA CUIDAR DO TRÂNSITO: E O ENGENHEIRO?
Quando um eleitor brasileiro confirma seu voto na urna eletrônica, espera estar votando acertadamente. Pelo menos a maioria deles. Confiando nas boas intenções do candidato, acredita nas promessas feitas e então concorre para a sua eleição. Na campanha para prefeito, Gilson de Souza (DEM), eleito para dirigir os destinos de nosso município até 2020, fez uma série de promessas que, já se sabia, seriam difíceis de serem concretizadas, como a criação de um novo hospital e uma clínica veterinária no parque “Fernando Costa”. Outras que, logo ao tomar posse, deixou no vácuo, como a redução no preço das passagens da São José. Agora, descumpre mais uma: a indicação de um engenheiro especializado para cuidar do caótico trânsito francano. Ainda antes da posse, Gilson escolheu alguém conhecedor do assunto, o tenente coronel Benedito Antônio Alves. Após ficar menos de três meses na chefia do trânsito, ele pediu exoneração em março. Depois, o secretário de Segurança e Cidadania, Orivaldo Donzeli, acumulou as funções.
Porém, agora, o prefeito dá um largo passo atrás. Quando se esperava que ele buscaria um engenheiro de trânsito ou alguém capaz de trazer respostas aos francanos que dependem do bom fluxo do tráfego, ele resolveu nomear o ex-vereador de Cristais Paulista, Márcio Antônio dos Santos, conhecido como Marcinho, como o novo Coordenador de Trânsito da Prefeitura de Franca. Marcinho tem 40 anos e é filiado ao Democratas, mesmo partido do prefeito. Ele é aliado de Gilson de Souza há dez anos e foi seu assessor quando exercia o cargo de deputado. Conhecido pela experiência na articulação política — ajudou Gilson a vencer as eleições para presidente do Comam — Márcio Antônio está cursando administração pública e não tem especialização em trânsito.
“É brincadeira isso?”, perguntam os francanos. Um problema crônico, nosso trânsito registra congestionamentos nos horários de pico, fluxo que não anda, falta de sincronia nos semáforos, entradas e saídas de bairros afuniladas e excesso de acidentes. Indaga-se ainda se alguém, sem experiência e que não conhece a fundo os problemas da cidade, terá capacidade de dar jeito num setor que pelo menos nas últimas três décadas é o “calcanhar de Aquiles” da municipalidade. Gilson precisa, de uma vez por todas, assumir o seu posto de administrador público. A continuar nesse passo, conseguirá muito pouco até o final de seu mandato além de anunciar convênios com Estado e União para trazer melhorias ao município. O trânsito de Franca merece ser olhado com mais seriedade e o posto de coordenador não deve servir apenas para acomodar correligionários. Assim, Franca não suporta mais quatro anos andando a passos de tartaruga.
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