Apagar incêndios sem detonar os cofres públicos. É assim que Rodolfo Moraes Silva, de 34 anos, define o trabalho como secretário de Saúde de Franca. Atuando há dez anos como médico, com especialização em clínica médica e em dor, ele conhece bem os problemas de seu setor na cidade.
Muito além do trabalho feito como médico, Rodolfo tem presenciado de perto as necessidades da rede pública. Ele visitou todas as unidades de saúde de Franca e tem a missão de gerenciar 1.800 funcionários. Mantém uma agenda mensal para visitar todos os setores e acompanha de perto o que acontece.
Mesmo sabendo que a situação da saúde é preocupante, como ele mesmo define, Rodolfo encara o desafio com otimismo. Diz que tem a possibilidade de criar e executar projetos que tragam uma vida melhor para aquele que usa a rede pública.
Para gerenciar a Saúde, Rodolfo conta com apoio e vigilância constante de Gilson de Souza (DEM). Ele afirma que conversa todos os dias com o prefeito pois sua secretaria foi a bandeira da campanha política. “O prefeito não pode virar e dizer ‘se vira’. O Gilson é exatamente o contrário disso. Mostra uma preocupação muito grande em resolver os problemas da Saúde e estamos nos dedicando a isso”, garantiu o secretário, que recebeu a reportagem do Comércio em seu gabinete, para uma entrevista na última semana. Confira:
Como o senhor avalia esses 100 dias da saúde no governo Gilson de Souza (DEM)?
Foi um tempo importante para conhecimento de campo e já criar projetos e planos a longo prazo. Quando se assume uma secretaria desse porte, não tem como saber onde se está pisando. A transição também não foi fácil. Fui conhecendo unidade por unidade e, ao mesmo tempo, tentando apagar os “incêndios” que sempre existem na saúde, como falta de médicos e filas, o que demanda uma agilidade sua e da equipe para resolver. Ainda não temos a solução definitiva para todos os probelmas, mas ela está em construção.
De janeiro até agora, quais melhorias o senhor destaca?
A parte da gestão dos setores que pertencem à Secretaria de Saúde, reduzindo gastos, economia de horas extras e modificações em salários, por exemplo. São coisas que não aparecem muito para a população, mas fazem toda a diferença. Também fizemos a informatização de procedimentos, como cirurgias eletivas. Antes, eram pilhas e pilhas de papel. Perdia-se tempo e a fila ficava maior. Agora, estamos separando tudo no sistema. Também destaco a conquista de mais de 5 mil vacinas para a febre amarela e trabalho permanente na zona rural e a criação de um projeto para a nossa própria rede de exames laboratoriais. Isso deverá gerar uma economia de R$ 200 mil por ano. Organizamos também o fluxo de atendimento no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. Claro que ainda há espera, em razão da alta demanda, mas nada comparado ao que era anteriormente.
Qual é a maior deficiência no setor da saúde de Franca?
A atenção básica, que é o atendimento inicial do paciente, é o grande nó. Se tivéssemos capacidade de atendimento 20% a mais do que temos em Franca, resolveríamos bem a situação. Precisamos aumentar a oferta de atendimento em todos os bairros.
As filas são um problema persistente na saúde, especialmente no agendamento de consultas e cirurgias eletivas. Como o senhor está resolvendo essas situações?
Bolamos um esquema de mutirão no NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) para zerar as filas de consultas que estavam paradas em UBS (Unidade Básica de Saúde). São os casos de neurologia, urologia e nefrologia, cujas demandas estavam empilhadas. Foram cerca de 1.400 consultas e faremos outros mutirões para as outras especialidades. Fizemos também um mutirão de tomografia que passou despercebido nesses 100 dias. Foram 400 exames para pessoas que estavam esperando por um atendimento. Atualmente, estamos realizando o mutirão de audiometria. Existia uma fila parada de quase 500 pessoas. Mais que isso, criamos a Central de Agendamento de Consultas, que veio para agilizar o atendimento ao paciente. Ela funciona na própria secretaria. Antes, o caminho que o francano tinha de trilhar era procurar o clínico na UBS, ir ao especialista, retornar à unidade com os exames, passar novamente por um clínico para só depois voltar ao especialista. Agora, o paciente sai do NGA, marca pela central via telefone o atendimento e a própria central encaminha para o especialista. Com isso, tenho estatísticas em mãos, desafogo as UBS e vejo como estão as filas e a necessidade do povo.
Um dos problemas pontuais da Saúde é a falta de médicos ginecologistas nas UBS. Como está o processo de retorno desses especialistas para a rede pública?
As pessoas têm toda razão em reclamar, pois o número de ginecologistas é insuficiente para atender a demanda. Eles estão em apenas algumas das UBS, pois muitos saíram na gestão anterior. Ficou esse buraco e agora isso está estourando. Estamos com um projeto para sair, que engloba parceiros, e que tenho me dedicado muito para aumentar o número de consultas. O ideal seria 1.500, 2.000 consultas a mais. Faremos tudo dentro da lei e, em breve, poderemos divulgar e implantá-lo.
A saúde mental é outro problema sério, pois não há psiquiatras na Saúde pública. A expectativa era de que, em abril, eles já estivessem atendendo. Como está esse processo?
Os cinco médicos estão para ser convocados nas próximas semanas, junto com os ginecologistas, que serão três. Evidente que isso não resolve a enorme demanda. Preciso de mais médicos, mas tudo tem de ser feito com cuidado. Enquanto isso, estamos fazendo uma triagem para separar os casos que são prioridade e os que podem esperar mais um pouco, e pensando em projetos a longo prazo para uma área que tanto nos preocupa.
A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Anita também foi um problema assumido pelo governo Gilson, pois corria risco de fechar assim que ficou constatado não ter dinheiro. Ainda há esse risco?
Foi uma das primeiras questões levantadas quando assumi a secretaria. Inaugurar é relativamente fácil. Custear a manutenção do trabalho que é mais difícil. E, mesmo sendo assim, ela não fechará nem diminuirá os atendimentos. Pelo contrário. A UPA tem sido cada vez mais procurada. Isso está gerando fila e nos fazendo redimensionar o número de médicos. Nós já convocamos dez, mas leva-se um tempo para que eles apresentem documentos e possam trabalhar.
Uma das promessas de campanha do Gilson foi a criação de um hospital municipal. Existe a possibilidade de ser construído?
Claro. Um projeto desse tamanho vai demorar, pois precisamos de parceiros e recursos. Essa parte ficará com o Gilson, que sabe muito bem como garantir recursos para a Saúde e tem feito isso. Franca merece um hospital municipal; é uma cidade grande. Só a Santa Casa não consegue atender tudo.
O que o senhor espera para os próximos 100 dias?
Colher os frutos desses projetos que citei, a chegada de novos médicos, fazer mutirões de exames de alto custo como colonoscopia, tomografias, endoscopias e ressonâncias para atender uma demanda de 800 pessoas, e continuar trabalhando de Franca.
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