Recessão aniquila 22,8 mil postos de trabalho em Franca


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Nos últimos três anos, 22.883 mil vagas de emprego foram extintas na cidade
Nos últimos três anos, 22.883 mil vagas de emprego foram extintas na cidade
O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro caiu 7,2% nos últimos dois anos, na pior recessão da história do País - 3,8% em 2005 e 3,6% no ano passado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Esse recuo histórico da economia nacional afetou em cheio o mercado de trabalho em Franca. Nos últimos três anos, 22.883 mil vagas de emprego foram extintas na cidade - quase 10% da população economicamente ativa do  município.
 
Também vivendo a pior recessão da sua história, de acordo com o economista Hélio Braga Filho, a cidade viu o saldo nos postos de trabalho ficar negativo mês após mês. Desde junho de 2014, são 33 meses no vermelho. Os dados são baseados nos números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego.
 
Ano anterior a crise, 2013 teve saldo positivo em praticamente todos os setores francanos que integram o banco de dados do Caged. Apenas na agropecuária, com 176 demissões a mais que contratações, e no setor de serviços industriais de utilidade pública, com saldo negativo de 20 vagas, a situação foi diferente. Naquele ano, o saldo total de empregos foi positivo em 3.341 vagas. Nos três anos seguintes - 2014, 2015 e 2016 - o saldo foi negativo em 1.556, 4.267 e 589 vagas, respectivamente.
 
Vivendo uma boa fase em 2013, quando acumulou o saldo positivo de 1.104 empregos, a indústria foi o setor que mais perdeu vagas em Franca desde que a crise econômica começou efetivamente no Brasil, logo após a Copa do Mundo de 2014. Somente na indústria calçadista - expoente da economia local -, entre outubro de 2013 e janeiro de 2017, segundo dados do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), são menos 9.062 vagas disponíveis no mercado. 
 
“Vivemos a primeira crise, que seria uma ‘marolinha’, mas na verdade foi um tsunami sem precedentes, no ano de 2008. Em outubro de 2010, voltamos a contratar e atingimos o ápice em 2013, com 30.381 trabalhadores empregados na nossa indústria calçadista. Porém, desde 2014, vimos a produção cair e fomos perdendo gradativamente muitas vagas”, disse José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca.
 
O segundo setor que mais demitiu nos últimos três anos foi o comércio. Altamente beneficiada com ações de incentivos promovidas durante os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT (Partido dos Trabalhadores) - como a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) -, a área comercial viu cair consideravelmente o número de vendas com o fim do incentivo, especialmente nos setores de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis e veículos.
 
Com a nova realidade, uma das saídas encontradas pelos empresários que não fecharam as portas foi demitir. Entre 2015 e 2016, depois de um 2013 positivo e 2014 em declínio, o saldo de empregos no setor em Franca ficou negativo em 1.695 vagas.
 
Seguindo a derrocada no País, a construção civil também fechou vagas em Franca. Nos últimos três anos, foram 983 vagas a menos. Como consequência, o setor imobiliário viu crescer o número de imóveis desocupados nos quatro cantos da cidade, principalmente aqueles que antes eram ocupados pelo comércio.
 
Contramão
Enquanto o desemprego aumenta na cidade, o setor de serviços vem crescendo e se destacou na geração de emprego formal em Franca. Foram criados 2.319 novos postos de trabalho com carteira assinada nos últimos três anos. As principais oportunidades do setor são formadas nas áreas da saúde, educação, comunicação, alimentação, alojamento, serviços pessoais e instituições financeiras.
 
Alternativas
O crescimento do desemprego na cidade fez com que os desempregados buscassem alternativas para enfrentar o momento de turbulência. O movimento provocou o aumento de novos microempreendedores individuais (MEIs) na cidade. Segundo dados do escritório regional do Sebrae-SP, entre janeiro de 2014 e o mês passado, 6.477 formalizações foram feitas na cidade - média de quase 6 por dia. A quantidade de negócios subiu de 8.431 (no período anterior) para 14.908 - uma alta de 76%.
 
Arrecadação em queda
Enquanto o desemprego aumentou na cidade, a arrecadação da Prefeitura não atendeu às previsões e sua evolução ficou abaixo da inflação, de acordo com a Secretaria Municipal de Finanças. Em 2016, por exemplo, a expectativa era que o orçamento girasse em torno de R$ 700 milhões, mas a arrecadação não ultrapassou os R$ 584 milhões. A queda na receita está aliada, principalmente, à baixa evolução nos repasses estaduais de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). A situação, segundo a administração, afeta consideravelmente os investimentos na área pública. 
 
Confira o raio-X de como a crise afetou cada um desses setores em Franca nas próximas três páginas.

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