Produção calçadista retrocede a níveis de 96


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Conhecida como polo de fabricação de calçado masculino no País, Franca perdeu 9,6 mil vagas apenas na indústria calçadista em três anos e meio. Enquanto em outubro de 2013, o setor atingia seu ápice e empregava 30.381 trabalhadores, em fevereiro deste ano, esse número caiu 68% e chegou a 20.779 vagas ocupadas, segundo dados do Sindifranca (Sindicato da Indústria do Calçado de Franca). 
 
“A instabilidade política e a carga tributária são os vilões da indústria calçadista. Acompanhamos diariamente indústrias que vão para outros Estados em busca de sobrevivência e, dessa forma, perdemos empregos”, disse José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca.
 
Números da produção anual de pares de calçados na cidade apontam para um retrocesso de 20 anos, voltando ao patamar de 1996. Para este ano, está prevista a produção de 26,2 milhões de pares. Apenas em 1996, a produção foi menor e chegou a 24,8 milhões de pares.
 
As exportações seguem a mesma tendência e, enquanto em anos anteriores chegou a representar até 49% da produção, em 2016 não ultrapassou os 24%. Para 2017 a estimativa é ainda menor e, baseada nas exportações até o momento, não devem ultrapassar os 10%. 
 
“Nossas exportações estão estagnadas desde 2014 e não vemos possibilidade de melhora para breve. Essa situação influi na competitividade e, sem uma política clara do governo, é difícil encontrar quem queira investir. Não sabemos o que vai acontecer amanhã, se o governo será o mesmo. Os incentivos, as taxas, enfim, tudo aquilo que influi diretamente nos negócios está nebuloso. Sem mudanças, o mercado não irá reagir e a recuperação demorará”, disse Brigagão. 
 
Além das exportações estagnadas, os calçadistas de Franca ainda viram as vendas para o mercado interno encolher. Em 2013, o setor viveu seu melhor momento, comercializando 36,7 milhões de pares ante 23 milhões no ano passado.

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