Questão tem de mexer com todos


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GRUPOS DE MULHERES PROTESTAM CONTRA ASSÉDIO E AGRESSÕES: ISSO VAI TER UM FIM?
Nos últimos dias temos acompanhado notícias que causam revolta, indignação e movimentam as redes sociais. Infelizmente, todas dizem respeito ao tratamento ao qual as mulheres, na segunda década do século XXI, estão sujeitas. Além de serem desvalorizadas no trabalho e tratadas com desdém em muitos lares brasileiros, elas estão sujeitas ainda a atitudes machistas. A começar pelo presidente Michel Temer (PMDB), no Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, que ressaltou a posição da mulher como esposa, mãe e dona de casa, esquecendo-se das conquistas que ela conseguiu no plano profissional e pessoal. Há mais de 50 anos a mulher era tratada assim pelas publicações dirigidas a ela, com dicas de culinária, como cuidar dos filhos e da casa. Hoje, vemos mulheres comandando nações, como Ângela Merkel na Alemanha e Theresa May na Inglaterra, por exemplo.
 
Mesmo assim, a participação das mulheres na política brasileira ainda é insípida: embora seja a maioria de eleitores seja feminina, ministérios, Congresso, governos estaduais e municipais e assembleias legislativas têm em sua grande maioria integrantes masculinos. Por isso, ainda estamos longe de ver a mulher conseguir a igualdade com os homens. O caso do assédio sexual do ator José Mayer contra uma figurinista – que causou um verdadeiro rebuliço dentro da TV Globo e criou a campanha “Mexeu com uma, mexeu com todas” envolvendo funcionárias da emissora – é um dos que mostram que o machismo ainda está presente em todas as instâncias de nossa sociedade. A agressão do cantor Victor Chaves (da dupla com Léo) à sua esposa grávida e as atitudes do médico Marcos contra a jovem Emilly, no programa Big Brother Brasil, expõem a questão ainda mais.
 
Além disso, dificilmente há dia em que os meios de comunicação da cidade, incluindo este Comércio, não noticiam agressão de marido a mulher, namorado a namorada e por aí vai. As mulheres, mesmo numa sociedade mais esclarecida, ainda continuam vistas como alvo de ataques dos mais diversos tipos. Seja na rua, nos ônibus, no local de trabalho ou então nas suas próprias casas, elas se tornam alvos de homens que agem como trogloditas, chamando a si uma posição de superioridade que hoje não se pode tolerar. Por isso é que uma situação como a criada pelo ator José Mayer deveria ter outro mote: “Mexeu com uma, mexeu com todos nós”. O que não pode é considerar que casos como este são exceção, sendo que a maioria deles acaba nem sendo denunciada. Precisamos agir para que nossa sociedade dê à mulher o destaque que ela merece, como protagonista, e não como alvo de ataques e agressões.

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