Justiça mantém prisão de funcionário da Seara


| Tempo de leitura: 2 min
A Justiça Federal do Paraná decidiu manter a prisão preventiva de Flavio Evers Cassou, funcionário da Seara, empresa pertencente à JBS. Cassou teve a prisão decretada em 17 de março por suposto envolvimento na operação Carne Fraca.
 
De acordo com o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, a revogação da prisão preventiva de Cassou neste momento colocaria em risco a saúde pública e o andamento das investigações, diante da possibilidade de destruição de provas e coação de outras pessoas envolvidas no esquema.
 
Segundo a investigação da Polícia Federal, o funcionário dava dinheiro e alimentos a fiscais em troca da liberação de certificados sem que fosse realizada fiscalização.
 
"É bastante provável, para não dizer certo, que em liberdade, poderá influenciar negativamente na investigação, quer coagindo envolvidos já identificados e também aqueles ainda não identificados, quer destruindo provas ou, ainda, ocultando recursos financeiros obtidos a partir das práticas delitivas, assim reduzindo a possibilidade de avanço efetivo da investigação", afirmou o juiz em decisão publicada neste sábado (8).
 
"Em virtude da possibilidade concreta do cometimento de novos delitos, com riscos diretos inclusive para a saúde pública dos consumidores, para a garantia da ordem pública e a ordem econômica justifica-se a custódia cautelar", disse Josegrei.
 
A operação Carne Fraca investiga a existência de uma suposta organização criminosa liderada por fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, que, com o pagamento de propina, facilitavam a produção de produtos adulterados, emitindo certificados sanitários sem fiscalização.
 
Ela revelou até mesmo o uso de carnes podres, maquiadas com ácido ascórbico, por alguns frigoríficos, a re-embalagem de produtos vencidos e até papelão na produção de embutidos.
A Folha entrou em contato com a JBS, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.
Em 17 de março, quando a operação foi deflagrada, a empresa publicou nota em que negou irregularidades na produção e venda de carnes e disse repudiar "veementemente" qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos.
 
"A JBS e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas", declarou.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários