Para que uma sombra se forme, há de existir um objeto e uma fonte de luz. Podemos fazer o teste com nosso próprio corpo. Se ele bloqueia o caminho da luz que pode vir do Sol ou de uma lâmpada, o resultado é uma área não iluminada chamada de sombra, que se projeta no chão ou numa parede, por exemplo. Se você olhar bem para uma sombra, você vai reparar que às vezes se forma uma área um pouco mais clara em volta dela. A isso se dá o nome de “penumbra.” É um estágio entre a luz e a falta de luz. A penumbra surge quando a fonte de luz tem tamanho maior que os objetos que ela está iluminando.
Foi observando as sombras que estudiosos de tempos muito antigos fizeram descobertas importantes sobre a Terra. Um deles, o grego Aristóteles, que viveu no século 3 antes de Cristo, chegou à conclusão correta de que nosso planeta tinha forma arredondada e era maior que a Lua ao observar um eclipse lunar. Acontece que nesse tipo de eclipse, a Lua desaparece da vista por alguns momentos porque a Terra fica entre ela e o Sol. Ora, “se a Lua fica invisível é porque a sombra maior e encurvada da Terra a encobre”, pensou Aristóteles. Ele estava certo.
Antes de Aristóteles, outro estudioso da Grécia, conhecido por Tales de Mileto, calculou a altura das pirâmides do Egito por meio das sombras. Vejam que interessante: ele comparou a medida de um objeto pequeno com a sombra dele em uma certa hora do dia. Usando este valor, calculou a altura de uma pirâmide a partir da extensão de sua sombra no mesmo horário.
Mas muito antes de Tales de Mileto, os homens já tiravam conclusões a partir da observação das sombras. Os babilônios, povo que morava no território onde hoje é o Iraque, criaram um relógio do Sol por volta de 5 mil anos antes de Cristo. Eles conseguiram fazer isso ao perceberem que em certo momento do dia o Sol fica a pino, bem no meio do céu, não havendo nenhuma projeção de sombras de objetos. Então eles definiram este momento como meio-dia. A partir daí, dividiram o dia de acordo com as sombras, indicando as horas. Este relógio tinha uma espécie de pilar que projetava a sombra ao seu redor passando por 12 marcações. Por vários séculos esse foi o relógio que norteou os humanos.
Em lugares onde não havia relógio solar, as pessoas marcavam encontros de acordo com o comprimento de suas sombras. Por exemplo: “Vou encontrar fulano quando nossas sombras chegarem a 2 metros de comprimento do Sol.” Não dava muito certo porque as pessoas têm alturas diferentes e o tamanho das sombras variava.
As sombras foram também objeto de atenção de artistas que a transformaram em um tipo de teatro, o Teatro de Sombras. Conta-se que um imperador de tempos antigos ficou muito triste com a morte de uma bailarina de quem gostava. Ordenou então a um mago de sua Corte que a trouxesse de volta do Reino das Sombras, como era chamado o lugar para onde, se acreditava então, iam os que morriam. O mágico recortou a silhueta da dançarina em papelão, esticou uma cortina num palco e projetou sombras da imagem, movimentando-a. Enquanto isso, um músico tocava flauta. Foi com jeito criativo que ele cumpriu a ordem do imperador. A partir daí, este tipo de teatro foi sendo aperfeiçoado pelos chineses. Ele ainda existe.
Um aspecto interessante é o fato de, até hoje, muitas culturas associarem as sombras ao mistério. A palavra assombração, por exemplo, deriva de sombra. Para um povo da Indonésia, longínquo país asiático, se a sombra de uma pessoa for atingida por algum objeto, ela ficará doente. Para outro povo da África, o temor é ter a sombra roubada. E, entrado mais adentro no mundo da imaginação, quem leu a história de Peter Pan sabe que ele deixou a Terra do Nunca e foi bater à porta da casa de Wendy em busca de sua sombra que havia fugido...
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.